UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022
Paciente, 35 anos, deu entrada com história de febre há 7 dias associada a adinamia e queda do estado geral, ao exame físico hepatoesplenomegalia leve, ausência de linfonodos palpáveis. Realizou hemograma que evidenciou: HB = 7,5, ht 22%, leucócitos: 2.350, Plaquetas 67.000. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Febre prolongada + hepatoesplenomegalia + pancitopenia → suspeitar fortemente de Leishmaniose Visceral.
A tríade de febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia) é altamente sugestiva de Leishmaniose Visceral (Calazar), uma doença parasitária sistêmica endêmica em várias regiões. Outras hipóteses como linfoma ou arboviroses podem ter sobreposição, mas a combinação é clássica de LV.
A Leishmaniose Visceral (LV), ou Calazar, é uma doença parasitária sistêmica grave causada por protozoários do gênero Leishmania (principalmente L. donovani e L. infantum no Brasil), transmitida pela picada de flebotomíneos ('mosquito-palha'). É endêmica em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil, e representa um sério problema de saúde pública devido à sua alta letalidade se não tratada. O quadro clínico clássico da LV é caracterizado por febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia (muitas vezes maciça), perda de peso, adinamia e, laboratorialmente, pancitopenia (anemia, leucopenia e trombocitopenia). A ausência de linfonodos palpáveis ajuda a diferenciá-la de outras condições como linfomas. A imunossupressão, como a coinfecção por HIV, pode agravar a doença. O diagnóstico é confirmado pela detecção do parasita em amostras de medula óssea, baço ou linfonodos, ou por testes sorológicos e moleculares. O tratamento é complexo e envolve medicamentos como anfotericina B lipossomal ou antimoniais pentavalentes, com bom prognóstico se iniciado precocemente. A suspeita clínica é fundamental para o diagnóstico e tratamento oportunos, evitando complicações graves e óbito.
Os achados clássicos incluem febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia (especialmente esplenomegalia proeminente), perda de peso, adinamia e pancitopenia (anemia, leucopenia e trombocitopenia) no hemograma.
O diagnóstico definitivo é realizado pela identificação do parasita (amastigotas de Leishmania) em aspirado de medula óssea, baço ou linfonodo, ou por métodos moleculares como PCR. Testes sorológicos também são utilizados para triagem.
Os principais diferenciais incluem malária, brucelose, esquistossomose mansônica, linfomas, leucemias, mielofibrose, tuberculose miliar, infecção por HIV e outras doenças que causam febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia.
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