FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Paciente jovem de 32 anos, sexo masculino, foi contratado recentemente na cooperativa de coleta seletiva da sua cidade. Infelizmente ele já apresentou um atestado médico por causa de gripe há 10 dias, com melhora parcial dos sintomas. Hoje enquanto estava trabalhando sentiu tontura e fraqueza, relatando intensa mialgia acompanhada de febre aferida. Foi encaminhado para atendimento no Hospital de Base sendo realizado o seguinte Exame Físico: Regular estado geral, orientado no tempo e espaço, taquicárdico, com taquipneia leve, descorado +/4+, desidratado +/4+, ictérico 2+/4+, acianótico. Pressão Arterial 100 x 60 mmHg, Frequência Cardíaca de 102 bpm, Frequência Respiratória de 22 ipm, Temperatura de 38,2°C. Ausculta Cardíaca e Pulmonar sem alterações. Abdômen sem visceromegalias mas com dor a palpação superficial e profunda do hipocôndrio direito. Edema de membros inferiores +/4+ bilateralmente. Assinale a alternativa correta em relação aos exames laboratoriais a serem coletados e a principal hipótese diagnóstica:
Febre prolongada, hepatoesplenomegalia, pancitopenia, hipergamaglobulinemia → suspeitar Leishmaniose Visceral.
A Leishmaniose Visceral (Kala-azar) é uma doença sistêmica que se manifesta com febre prolongada, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e hipergamaglobulinemia. A icterícia e o comprometimento renal podem ocorrer em casos graves, justificando a investigação laboratorial completa.
A Leishmaniose Visceral (LV), ou Kala-azar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. No Brasil, o principal agente é a Leishmania infantum (chagasi). É uma doença de grande importância em saúde pública, especialmente em áreas endêmicas, e seu diagnóstico precoce é crucial para evitar a progressão para formas graves e óbito. Clinicamente, a LV se manifesta com febre prolongada e irregular, perda de peso, astenia, hepatoesplenomegalia (muitas vezes volumosa), palidez cutaneomucosa devido à anemia, e linfoadenopatia. Laboratorialmente, é comum encontrar pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia) e hipergamaglobulinemia policlonal. O comprometimento renal e a icterícia podem ocorrer em casos avançados ou com coinfecções. O diagnóstico é feito pela combinação de quadro clínico, epidemiologia e exames laboratoriais. A sorologia (ELISA, RIFI) é útil, mas a confirmação definitiva é pela identificação do parasita em aspirado de medula óssea, baço ou linfonodo. O tratamento envolve medicamentos como anfotericina B lipossomal ou antimoniato de meglumina, e o suporte clínico é fundamental para manejar as complicações.
Os principais sintomas incluem febre prolongada, perda de peso, hepatoesplenomegalia, palidez (anemia), e em casos avançados, icterícia e edema.
Hemograma (pancitopenia), proteínas totais e frações (hipergamaglobulinemia), bilirrubinas, creatinina e potássio para avaliar função orgânica, e sorologia específica ou pesquisa de parasita.
A presença de hepatoesplenomegalia proeminente, pancitopenia e hipergamaglobulinemia policlonal são fortes indicadores que ajudam a diferenciar a Leishmaniose Visceral de outras febres tropicais como a Leptospirose ou Malária.
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