HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015
Masculino, 40 anos, natural e procedente de Rio Verde de Mato Grosso (MS), casado, zelador, refere que há 2 meses apresenta febre, hiporexia, astenia, perda ponderal (8kg nesse período). Ao exame físico: regular estado geral e nutricional, hipocorado, febril (temperadura axilar de 38° C), anictérico, fígado palpável a 3,0 cm do rebordo costal direito e baço palpável a 6,0 cm do rebordo esquerdo. Exames: hemoglobina de 7,6 g/dL, leucócitos 1230/mm³, plaquetas 90.000/mm³, AST 90 U/L, ALT 99 U/L, RNI 1,8 albumina 2,5 g/dL, globulina 3,7 g/dL e creatinina 0,8 mg/dL. Em esfregaço delgado de aspirado de medula óssea após coloração de Giemsa foram observadas formas amastigotas. Qual o diagnóstico desse paciente?
Febre prolongada + hepatoesplenomegalia + pancitopenia em área endêmica → Leishmaniose visceral.
O quadro clínico clássico de febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia em paciente de área endêmica, confirmado pela visualização de formas amastigotas em aspirado de medula óssea, é altamente sugestivo de leishmaniose visceral (calazar).
A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar ou kala-azar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos (mosquito-palha). É endêmica em diversas regiões do Brasil, incluindo o Mato Grosso do Sul, e representa um importante desafio de saúde pública. A doença afeta principalmente órgãos internos, como baço, fígado e medula óssea, levando a um quadro sistêmico. Clinicamente, a leishmaniose visceral é caracterizada por febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia proeminente, perda de peso progressiva, astenia e anemia. A pancitopenia é um achado laboratorial comum, refletindo a disfunção da medula óssea e o hiperesplenismo. O diagnóstico é confirmado pela detecção das formas amastigotas do parasita em aspirados de medula óssea, baço ou linfonodos, ou por testes sorológicos e moleculares. A suspeita clínica é fundamental em pacientes provenientes de áreas endêmicas com o quadro sintomático descrito. O tratamento da leishmaniose visceral é complexo e deve ser iniciado precocemente para evitar complicações graves e óbito. Os medicamentos de escolha incluem antimonial pentavalente (Glucantime) e anfotericina B lipossomal, com a escolha dependendo da gravidade do caso, idade do paciente e presença de comorbidades. A doença tem alta letalidade se não tratada, e o manejo adequado é crucial para a recuperação do paciente e controle da transmissão.
A leishmaniose visceral se manifesta com febre prolongada, perda de peso, astenia, hiporexia, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço) e pancitopenia (redução de todas as células sanguíneas).
O diagnóstico definitivo é realizado pela identificação de formas amastigotas do parasita em amostras de medula óssea, baço, linfonodos ou fígado, ou por métodos moleculares como PCR.
A pancitopenia na leishmaniose visceral ocorre devido à hiperesplenismo (sequestro e destruição de células sanguíneas pelo baço aumentado) e à supressão da medula óssea pela infecção.
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