PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2021
Homem de 18 anos, natural de Rondônia, residente em Foz do iguaçu há 90 dias. Há 30 dias vem apresentando fraqueza, mal estar, febre intermitente e emagrecimento de 10 kg no período. Exames de rastreio mostraram Pancitopenia e insuficiência renal aguda. A ecografia de abdome total mostrou hepatoesplenomegalia importante. Esfregaço de medula óssea evidenciando formas amastigotas de Leishmania. A partir do diagnóstico a melhor opção de tratamento ao caso?
Leishmaniose visceral grave (pancitopenia, IR) → Anfotericina B lipossomal é a primeira escolha, com menor nefrotoxicidade.
A leishmaniose visceral (calazar) é uma doença sistêmica grave, especialmente quando associada a pancitopenia e insuficiência renal. Nesses casos, a Anfotericina B lipossomal é o tratamento de escolha devido à sua eficácia e perfil de segurança superior, com menor nefrotoxicidade em comparação com o desoxicolato de anfotericina B e os antimonais pentavalentes.
A leishmaniose visceral (LV), também conhecida como calazar, é uma doença parasitária sistêmica grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. No Brasil, é endêmica em diversas regiões, como Rondônia, e sua epidemiologia tem se expandido para áreas urbanas. A doença é caracterizada por um quadro clínico arrastado e inespecífico, tornando o diagnóstico um desafio. A fisiopatologia envolve a infecção de macrófagos em órgãos como baço, fígado e medula óssea, levando a hepatoesplenomegalia, pancitopenia e disfunção de múltiplos órgãos, incluindo insuficiência renal aguda. O diagnóstico é confirmado pela visualização das formas amastigotas em aspirados de medula óssea ou outros tecidos, ou por métodos sorológicos e moleculares. O tratamento da LV é complexo e deve ser individualizado. Em casos graves, como o descrito, com pancitopenia e insuficiência renal, a Anfotericina B lipossomal é a droga de primeira escolha. Ela apresenta alta eficácia e um perfil de segurança superior aos antimonais pentavalentes (como o Antimoniato de Meglumina) e ao desoxicolato de anfotericina B, que são mais tóxicos, especialmente para os rins e o coração. O prognóstico depende do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, sendo fatal se não tratada.
As manifestações incluem febre prolongada e intermitente, hepatoesplenomegalia (especialmente esplenomegalia), perda de peso, fraqueza, palidez e pancitopenia (anemia, leucopenia, plaquetopenia), que podem levar a infecções secundárias e sangramentos.
A Anfotericina B lipossomal possui menor nefrotoxicidade e cardiotoxicidade em comparação com o desoxicolato de anfotericina B e os antimonais, sendo mais segura e eficaz para pacientes com comprometimento renal, hepático ou outras comorbidades graves, permitindo doses mais altas e tratamento mais prolongado se necessário.
O diagnóstico definitivo é realizado pela identificação das formas amastigotas de Leishmania em amostras de medula óssea, baço, linfonodos ou fígado, obtidas por punção ou biópsia. Testes sorológicos e moleculares (PCR) também são utilizados para auxiliar no diagnóstico.
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