Leishmaniose Visceral: Diagnóstico, Tratamento e Manejo

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015

Enunciado

Menino de 12 anos apresentou febre remitente por 15 dias, além de hepatoesplenomegalia e pancitopenia. Teve o diagnóstico de leishmaniose visceral confirmado, ao evidenciar-se o parasita. Foi tratado com antimonial pentavalente (antimoniato de N-metilglucamina) em regime hospitalar, apresentando melhora gradual do quadro clínico. Sobre este caso assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A recidiva da leishmaniose embora não seja frequente, precisa ser monitorada no seguimento deste paciente.
  2. B) Além da recidiva, é possível a reinfecção, uma vez que a resposta imune específica à leishmaniose não confere imunidade permanente.
  3. C) Um dos efeitos colaterais deste antimonial é causar distúrbios de repolarização no aparelho cardiovascular e consequente arritmia.
  4. D) Deve ser realizada investigação sorológica para leishmaniose em todas as pessoas contactantes deste paciente.
  5. E) Ao receber alta hospitalar o menino deve ser acompanhado ambulatorialmente, até que apresente todos os critérios de cura.

Pérola Clínica

Leishmaniose visceral: Não há indicação de rastreamento sorológico em contactantes humanos assintomáticos.

Resumo-Chave

A leishmaniose visceral é uma doença transmitida por vetor (flebotomíneo), não por contato direto entre humanos. Portanto, a investigação sorológica de contactantes humanos assintomáticos não é uma medida recomendada para controle da doença, que foca no vetor e reservatórios animais.

Contexto Educacional

A leishmaniose visceral (LV), também conhecida como calazar, é uma doença parasitária grave, endêmica em diversas regiões do Brasil. É causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada de flebotomíneos infectados. A apresentação clínica clássica inclui febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia, sendo o diagnóstico confirmado pela identificação do parasita ou por métodos sorológicos e moleculares. O tratamento de escolha para a LV no Brasil é o antimonial pentavalente (antimoniato de N-metilglucamina), administrado em regime hospitalar devido aos seus potenciais efeitos colaterais. É crucial monitorar a função cardíaca (ECG), renal e hepática durante o tratamento. A melhora clínica gradual é esperada, mas a recidiva, embora não frequente, e a possibilidade de reinfecção (devido à imunidade não permanente) exigem acompanhamento ambulatorial até a confirmação dos critérios de cura. Um ponto importante para a prática e para provas é a epidemiologia da LV. A doença não é transmitida de pessoa para pessoa. Portanto, a investigação sorológica de contactantes humanos assintomáticos não é uma medida de controle recomendada. As ações de controle epidemiológico focam na identificação e tratamento de casos humanos, controle de reservatórios (cães) e combate ao vetor (flebotomíneos) em áreas endêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da leishmaniose visceral em crianças?

Em crianças, a leishmaniose visceral classicamente se manifesta com febre prolongada e remitente, hepatoesplenomegalia, pancitopenia, perda de peso e linfadenopatia.

Quais são os efeitos colaterais mais importantes do antimonial pentavalente no tratamento da leishmaniose?

Os antimoniais pentavalentes podem causar efeitos colaterais como cardiotoxicidade (distúrbios de repolarização, arritmias), nefrotoxicidade, hepatotoxicidade, pancreatite e mialgia, exigindo monitoramento rigoroso.

Por que a investigação sorológica em contactantes humanos de leishmaniose visceral não é recomendada?

A leishmaniose visceral é uma zoonose transmitida por vetor (flebotomíneo), não por contato direto pessoa-pessoa. A investigação em contactantes humanos assintomáticos não é eficaz para o controle epidemiológico, que se concentra no vetor e reservatórios.

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