Leishmaniose Visceral: Diagnóstico e Tratamento Essencial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 34 anos, procedente de Aquidauana (MS), após pescaria com amigos, procura atendimento médico com queixa de febre (até 39ºC) há 8 semanas, associada a astenia, perda do apetite, perda de peso, fraqueza e aumento do volume abdominal. Previamente hígido, nega comorbidades e não fazia uso de medicação específica ou substâncias ilícitas. Exame físico: regular estado geral, palidez cutâneo-mucosa, T = 38,5ºC, levemente taquipneico, FC = 110 bpm; ausculta pulmonar sem crepitações; bulhas cardíacas a 2 tempos, sem sopros; abdome volumoso com fígado palpável a 7 cm do rebordo costal direito e baço a 10 cm do rebordo costal esquerdo, lisos e levemente dolorosos. Exames laboratoriais: Hb = 7,1 g/dl, hematócrito 19%, leucócitos de 2.950 por mm³ (1% bastão, 34% segmentados, 2% eosinófilos, 52% linfócitos e 12% monócitos) e plaquetas de 84.000 mm³. Considerando a principal hipótese diagnóstica, o tratamento deve ser feito com:

Alternativas

  1. A) Anfotericina B.
  2. B) Ceftriaxona.
  3. C) Quimioterapia.
  4. D) Medidas de suporte com hidratação e antitérmico.

Pérola Clínica

Febre prolongada + hepatoesplenomegalia + pancitopenia + epidemiologia → Leishmaniose visceral. Tratamento = Anfotericina B.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada, astenia, perda de peso, hepatoesplenomegalia e pancitopenia, em paciente procedente de área endêmica, é altamente sugestivo de leishmaniose visceral. A Anfotericina B lipossomal é o tratamento de escolha para a doença grave ou em áreas de resistência.

Contexto Educacional

A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. No Brasil, é causada pela Leishmania infantum e é endêmica em diversas regiões, sendo um importante problema de saúde pública. A doença afeta principalmente crianças e imunocomprometidos, mas pode ocorrer em qualquer idade, sendo crucial para a prática médica e provas de residência o reconhecimento precoce do quadro clínico e epidemiológico. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia, associada à história epidemiológica. A confirmação é feita por métodos parasitológicos (pesquisa de amastigotas em aspirado de medula óssea, baço ou linfonodo) ou sorológicos. A fisiopatologia envolve a replicação do parasita em macrófagos, levando à disfunção de órgãos e à supressão da medula óssea, resultando na pancitopenia característica. O tratamento é essencialmente medicamentoso, sendo a Anfotericina B (especialmente a lipossomal) a droga de escolha devido à sua alta eficácia e perfil de segurança, especialmente em casos graves ou em regiões com resistência a outros fármacos. O manejo adequado e o tratamento precoce são fundamentais para evitar complicações graves e reduzir a alta letalidade associada à doença, sendo um tópico recorrente em questões de residência médica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da leishmaniose visceral?

Os principais sinais e sintomas incluem febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço), perda de peso, astenia, palidez e pancitopenia (diminuição de todas as células sanguíneas).

Qual é o tratamento de primeira linha para a leishmaniose visceral?

O tratamento de primeira linha para a leishmaniose visceral é a Anfotericina B, preferencialmente a formulação lipossomal, devido à sua maior eficácia e menor toxicidade em comparação com as formulações desoxicolato.

Como o contexto epidemiológico influencia o diagnóstico de leishmaniose visceral?

O contexto epidemiológico, como a procedência de áreas endêmicas (ex: Aquidauana, MS), é fundamental para levantar a suspeita diagnóstica. A doença é transmitida por vetores em regiões específicas, e essa informação direciona a investigação.

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