Leishmaniose Tegumentar: Diagnóstico e Tratamento Essencial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 35 anos, proprietário rural, apresenta lesão na face lateral da perna direita há 5 meses, que se iniciou como “pelo encravado” com evolução progressiva (imagem). Nega outras lesões cutâneas ou sintomas sistêmicos. Exame histopatológico da lesão: reação granulomatosa em arranjo tuberculoide constituída por macrófagos, células epitelioides e células gigantes, com presença de estruturas arredondadas dentro dos macrófagos, além de infiltrado histiolinfoplasmocitário. Exame parasitológico direto da lesão: negativo.O diagnóstico e tratamento são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) hanseníase dimorfa; rifampicina associada à clofazimina.
  2. B) leishmaniose tegumentar; antimoniato de N-metilglucamina.
  3. C) leishmaniose tegumentar; cetoconazol.
  4. D) hanseníase tuberculoide; rifampicina associada à dapsona.

Pérola Clínica

Lesão cutânea crônica + histopatologia granulomatosa com amastigotas em macrófagos → Leishmaniose tegumentar. Tratamento: Antimoniais.

Resumo-Chave

A presença de estruturas arredondadas intracelulares (amastigotas) dentro de macrófagos na histopatologia é um achado patognomônico para leishmaniose, mesmo com parasitológico direto negativo. O contexto epidemiológico (proprietário rural) reforça a suspeita. O tratamento de primeira linha para leishmaniose tegumentar é o antimoniato de N-metilglucamina.

Contexto Educacional

A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma doença parasitária endêmica em diversas regiões do Brasil, causada por protozoários do gênero Leishmania. Sua importância clínica reside na cronicidade das lesões e na possibilidade de formas mucosas desfigurantes. O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para evitar complicações e sequelas, sendo a histopatologia um método diagnóstico chave, especialmente quando outros exames são inconclusivos. A suspeita de LTA deve surgir em pacientes com lesões cutâneas crônicas, especialmente em áreas endêmicas ou com histórico de exposição. A histopatologia, que revela a reação granulomatosa e a presença de amastigotas dentro dos macrófagos, é um pilar diagnóstico. É crucial correlacionar os achados histopatológicos com a clínica e a epidemiologia, pois a ausência de amastigotas em uma única amostra não exclui o diagnóstico. O tratamento da leishmaniose tegumentar é complexo e deve ser individualizado. O antimoniato de N-metilglucamina é o fármaco de escolha, mas a anfotericina B lipossomal e a miltefosina são alternativas importantes, especialmente em casos refratários ou com contraindicações aos antimoniais. O manejo adequado exige acompanhamento multidisciplinar e atenção às reações adversas dos medicamentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados histopatológicos característicos da leishmaniose tegumentar?

A leishmaniose tegumentar é caracterizada por uma reação granulomatosa com macrófagos, células epitelioides e células gigantes. O achado mais distintivo é a presença de amastigotas (estruturas arredondadas) dentro dos macrófagos.

Qual é o tratamento de primeira linha para a leishmaniose tegumentar?

O tratamento de primeira linha para a leishmaniose tegumentar é o antimoniato de N-metilglucamina (antimonial pentavalente), administrado por via parenteral. Outras opções podem incluir anfotericina B ou miltefosina, dependendo da espécie e da gravidade.

Como diferenciar leishmaniose de hanseníase em lesões cutâneas?

Embora ambas possam apresentar reações granulomatosas, a leishmaniose é diferenciada pela presença de amastigotas intracelulares. A hanseníase, por sua vez, apresenta bacilos álcool-ácido resistentes (bacilos de Hansen) e infiltrado inflamatório perianexial e perineural.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo