INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem de 19 anos, previamente hígido, vem à consulta na unidade de saúde relatando o surgimento, há algumas semanas, de lesão única na mão direita. Inicialmente, a lesão era como pápula, que aumentou progressivamente até ficar com o aspecto atual. O paciente é militar, pardo, servindo na floresta amazônica, solteiro, natural de Belém do Pará. Ele nega dor. Ao exame, a lesão apresenta consistência firme e o aspecto como mostrado na imagem. Diante dessas informações, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e o tratamento adequado para esse paciente?
Militar na Amazônia com lesão cutânea crônica e firme → suspeitar Leishmaniose Tegumentar.
O contexto epidemiológico (militar na Amazônia) e as características da lesão (pápula que cresce, firme, indolor) são altamente sugestivos de Leishmaniose Tegumentar, cujo tratamento de primeira linha é o antimoniato de N-metilglucamina.
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos (mosquito-palha). É endêmica em diversas regiões tropicais e subtropicais, com alta prevalência na Bacia Amazônica. A doença se manifesta principalmente com lesões cutâneas, mas pode ter formas mucosas e, mais raramente, viscerais. É um desafio de saúde pública, especialmente em áreas de fronteira agrícola e desmatamento. A fisiopatologia envolve a infecção de macrófagos pelos parasitas, que se replicam e causam uma resposta inflamatória no local da picada. A lesão inicial é uma pápula ou nódulo que pode ulcerar, formando uma úlcera crônica com bordas elevadas e fundo granuloso. O diagnóstico é suspeitado pela epidemiologia (exposição em área endêmica) e características clínicas da lesão. A confirmação laboratorial é essencial, geralmente por pesquisa direta do parasita em esfregaço ou biópsia da lesão, cultura ou PCR. O tratamento da LTA é complexo e depende da espécie de Leishmania, da forma clínica e da localização da lesão. Os antimoniais pentavalentes, como o antimoniato de N-metilglucamina (Glucantime), são a primeira linha de tratamento no Brasil, administrados por via parenteral. Alternativas incluem anfotericina B lipossomal, pentamidina e miltefosina, especialmente em casos refratários ou com contraindicações aos antimoniais. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas lesões mucosas podem ser desfigurantes e de difícil manejo.
A Leishmaniose Tegumentar geralmente se manifesta como uma lesão cutânea única ou múltipla, que pode iniciar como pápula ou nódulo e evoluir para úlcera com bordas elevadas e fundo granuloso, frequentemente indolor, em áreas expostas.
O diagnóstico é feito pela epidemiologia (área endêmica), exame clínico e confirmado por métodos laboratoriais como pesquisa direta do parasita (esfregaço, biópsia), cultura, PCR ou intradermorreação de Montenegro.
O tratamento de primeira linha no Brasil é com antimoniais pentavalentes, como o antimoniato de N-metilglucamina (Glucantime), administrado por via intramuscular ou intravenosa, com duração e dosagem ajustadas ao tipo e gravidade da lesão.
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