Leishmaniose Tegumentar: Diagnóstico e Tratamento Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Homem de 42 anos, trabalhador rural no interior da Bahia, apresenta há 8 semanas uma lesão ulcerada na perna direita. Relata que a lesão iniciou-se como uma pápula avermelhada que aumentou progressivamente de tamanho, tornando-se uma ferida indolor que não apresenta melhora com o uso de pomadas cicatrizantes e antibióticos tópicos por conta própria. Ao exame físico, observa-se uma úlcera de 3,5 cm de diâmetro na região pré-tibial, com bordas elevadas, infiltradas e de aspecto avermelhado (descrita como borda em moldura). O fundo da lesão é granulomatoso, com presença de finos pontos hemorrágicos. Não há linfonodomegalias satélites palpáveis ou sinais inflamatórios agudos perilesionais. O paciente nega febre, perda ponderal ou outras queixas sistêmicas. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica inicial recomendada?

Alternativas

  1. A) Carcinoma espinocelular; exérese cirúrgica com margens.
  2. B) Ectima infeccioso; penicilina G benzatina.
  3. C) Úlcera de estase venosa; terapia compressiva e debridamento.
  4. D) Leishmaniose tegumentar americana; antimoniato de meglumina.

Pérola Clínica

Úlcera indolor + Borda em moldura + Fundo granulomatoso = Leishmaniose Tegumentar.

Resumo-Chave

A LTA apresenta-se classicamente como úlcera de fundo limpo e bordas elevadas em áreas expostas, exigindo tratamento sistêmico para evitar disseminação mucosa.

Contexto Educacional

A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida pela picada de flebotomíneos. No Brasil, é uma endemia de grande relevância, especialmente em áreas rurais e periurbanas. A forma cutânea é a mais frequente, mas a importância do tratamento correto reside na prevenção da forma mucosa, que pode causar destruição desfigurante das estruturas nasofaringeas anos após a lesão cutânea inicial. O tratamento padrão envolve os antimoniais pentavalentes, com esquemas que variam de 20 a 30 dias. Em casos de contraindicação ou resistência, a Anfotericina B (preferencialmente lipossomal) ou a Pentamidina surgem como alternativas. O acompanhamento pós-tratamento é essencial para garantir a cura clínica e monitorar recidivas ou o surgimento de lesões mucosas.

Perguntas Frequentes

Como é o aspecto típico da úlcera na leishmaniose?

A lesão clássica da leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma úlcera única ou em pequeno número, localizada em áreas expostas do corpo. Caracteriza-se por ser indolor, ter formato arredondado ou ovalado, com bordas elevadas, infiltradas e bem delimitadas (aspecto 'em moldura'). O fundo da lesão é avermelhado, com tecido de granulação grosseiro e pode apresentar finos pontos hemorrágicos (sinal de Montenegro). Diferente das úlceras vasculares ou infecciosas comuns, a LTA raramente apresenta sinais inflamatórios agudos ou secreção purulenta, a menos que haja infecção secundária.

Quais os principais efeitos colaterais do antimoniato de meglumina?

O antimoniato de meglumina (Glucantime) é a droga de primeira escolha, mas possui toxicidade significativa. Os principais efeitos colaterais incluem artralgia, mialgia, dor abdominal, náuseas e alterações eletrocardiográficas, sendo o prolongamento do intervalo QT o mais preocupante, podendo levar a arritmias graves. Também pode causar toxicidade renal, hepática e pancreática. Por isso, o monitoramento com ECG, função renal e enzimas hepáticas/pancreáticas é obrigatório durante o tratamento, especialmente em idosos ou cardiopatas.

Como confirmar o diagnóstico de LTA?

O diagnóstico baseia-se na epidemiologia, clínica e exames laboratoriais. O padrão-ouro é a demonstração do parasita (formas amastigotas) em exames diretos (escarificação ou biópsia da borda da lesão) ou isolamento em cultura. A Intradermorreação de Montenegro (IDRM) é um teste de hipersensibilidade tardia muito sensível, mas que pode ser negativo nas primeiras semanas da doença ou em formas anérgicas. Métodos moleculares como o PCR têm ganhado espaço pela alta sensibilidade e especificidade.

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