Leishmaniose Tegumentar: Tratamento em Pacientes com Comorbidades

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 55 anos, agricultor, apresentou úlcera única, de bordas infiltradas, emolduradas e fundo granuloso na região pré-tibial esquerda, com crescimento há 45 dias. AP: DM2, doença de Chagas, bloqueio atrioventricular grau II, bloqueio de ramo esquerdo e DRC pré-dialítica. Exame citológico da base da úlcera: estruturas parasitárias diminutas. A estratégia terapêutica mais segura e eficaz é:

Alternativas

  1. A) Miltefosina oral.
  2. B) Antimoniato de N-metil glucamina intramuscular.
  3. C) Pentamidina intramuscular.
  4. D) Anfotericina B (lipossomal) endovenosa.

Pérola Clínica

Comorbidades cardíacas ou renais na Leishmaniose → Anfotericina B Lipossomal.

Resumo-Chave

O tratamento de primeira linha (antimoniais) é contraindicado em pacientes com nefropatias ou cardiopatias graves devido à toxicidade, sendo a Anfotericina B lipossomal a escolha segura.

Contexto Educacional

A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) exige cautela na escolha terapêutica. Os antimoniais pentavalentes são a primeira linha clássica, mas possuem estreita janela terapêutica e alta toxicidade sistêmica. Em pacientes agricultores, frequentemente expostos e com comorbidades como DM2 e DRC, a monitorização da função renal e do ECG é mandatória. A presença de 'estruturas parasitárias diminutas' (amastigotas) confirma o diagnóstico. A Anfotericina B lipossomal atua ligando-se ao ergosterol da membrana do parasita, com menor impacto nos túbulos renais e sistema de condução cardíaco quando comparada às formulações convencionais ou antimoniais.

Perguntas Frequentes

Por que não usar Glucantime em cardiopatas?

O antimoniato de N-metilglucamina (Glucantime) é conhecido por prolongar o intervalo QT e causar alterações de repolarização ventricular, o que em pacientes com bloqueios pré-existentes ou doença de Chagas pode desencadear arritmias graves e morte súbita.

Qual a indicação da Anfotericina B Lipossomal na leishmaniose?

É indicada como primeira escolha em pacientes com idade > 50 anos, portadores de insuficiência renal, cardiopatias, transplantados ou pacientes que falharam ao tratamento convencional, devido ao seu perfil de segurança superior.

A Miltefosina é uma opção viável neste caso?

Embora a miltefosina seja uma opção oral para leishmaniose, em pacientes com insuficiência renal crônica pré-dialítica e múltiplas comorbidades, a Anfotericina B lipossomal possui maior respaldo de segurança e eficácia controlada em ambiente hospitalar.

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