Leishmaniose Mucosa: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 61 anos, relata lesão na língua há 3 anos (figura), com dificuldade de alimentação e perda de peso. Etilista de 6 garrafas de cerveja por semana e nega tabagismo. Ao exame: BEG, corado. Linfonodo submandibular à esquerda de 0,5 cm, móvel e indolor. Cicatriz de aspecto apergaminhado no dorso do pé direito.Anatomopatológico da lesão da língua: epitélio com hiperplasia pseudoepiteliomatosa; infiltrado na submucosa denso e misto, rico em plasmócitos, com esboço de formação de granulomas. Não foram visualizados parasitas nas colorações especiais (GMS, Giemsa e Ziehl-Neelsen) e as culturas da lesão foram negativas.Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Carcinoma espinocelular.
  2. B) Paracoccidioidomicose.
  3. C) Doença de Behçet.
  4. D) Leishmaniose mucosa.

Pérola Clínica

Lesão oral crônica + história de lesão cutânea + AP com granulomas/plasmócitos = Leishmaniose mucosa.

Resumo-Chave

A leishmaniose mucosa deve ser fortemente suspeitada em pacientes com lesões orais crônicas, especialmente na língua, e história de lesões cutâneas prévias (cicatriz). O achado histopatológico de hiperplasia pseudoepiteliomatosa, infiltrado rico em plasmócitos e granulomas, mesmo sem parasitas visíveis, é altamente sugestivo.

Contexto Educacional

A leishmaniose mucosa é uma forma grave e desfigurante da leishmaniose tegumentar americana (LTA), causada por espécies do gênero Leishmania. É uma doença endêmica em várias regiões do Brasil e de outros países da América Latina. Sua importância clínica reside na cronicidade das lesões, na dificuldade diagnóstica e nas sequelas funcionais e estéticas que pode causar, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica ou linfática do parasita a partir de uma lesão cutânea primária (que pode ter cicatrizado anos antes) para as mucosas, principalmente do trato aerodigestivo superior. As lesões mucosas são caracterizadas por um infiltrado inflamatório crônico e exuberante, com resposta imune Th1. Clinicamente, manifesta-se como úlceras, nódulos ou placas que podem ser destrutivas, levando a perfurações de septo nasal, destruição do palato ou lesões na língua e orofaringe, causando disfagia e dificuldade respiratória. O diagnóstico da leishmaniose mucosa é desafiador. A história de lesão cutânea prévia e a epidemiologia são fundamentais. O anatomopatológico da lesão revela hiperplasia pseudoepiteliomatosa, infiltrado inflamatório denso com plasmócitos e, por vezes, granulomas. A pesquisa direta de parasitas (amastigotas) pode ser negativa devido à baixa carga parasitária, exigindo métodos complementares como PCR, cultura ou testes sorológicos. O tratamento é complexo e geralmente envolve antimoniais pentavalentes ou anfotericina B, com monitoramento rigoroso devido à toxicidade dos medicamentos.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da leishmaniose mucosa?

A leishmaniose mucosa tipicamente afeta o nariz, boca e garganta, causando lesões destrutivas e desfigurantes. Na boca, pode se manifestar como úlceras crônicas, nódulos ou placas na língua, palato, gengivas ou lábios, com dificuldade de alimentação e disfagia.

Como a leishmaniose mucosa se relaciona com a leishmaniose cutânea?

A leishmaniose mucosa é uma forma secundária da leishmaniose tegumentar americana (LTA), que ocorre após a cura (espontânea ou tratada) de uma lesão cutânea primária. O parasita migra e se estabelece nas mucosas, podendo se manifestar anos após a lesão cutânea inicial.

Qual é o papel do anatomopatológico no diagnóstico da leishmaniose mucosa?

O anatomopatológico é crucial, mostrando infiltrado inflamatório crônico com plasmócitos, linfócitos e macrófagos, frequentemente com formação de granulomas e hiperplasia pseudoepiteliomatosa. A visualização de amastigotas é diagnóstica, mas sua ausência não exclui a doença devido à baixa carga parasitária em lesões mucosas.

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