Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
A leishmaniose é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania. Acerca desse assunto, assinale a alternativa incorreta.
Leishmaniose cutânea difusa → tratamento difícil, mas NÃO é reconhecidamente resistente ao antimoniato de meglumina como primeira escolha.
A leishmaniose cutânea difusa é uma forma rara e grave da doença, caracterizada por múltiplas lesões nodulares ou em placa. Embora seja de difícil tratamento e possa necessitar de esquemas prolongados ou alternativos, o antimoniato de meglumina ainda é considerado a primeira escolha, e a resistência não é uma característica reconhecida da forma clínica em si, mas sim uma dificuldade de resposta.
A leishmaniose é um grupo de doenças parasitárias causadas por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pela picada de flebotomíneos (mosquito-palha). É uma doença de grande importância em saúde pública, com diversas formas clínicas, sendo a cutânea a mais comum. No Brasil, a Leishmania braziliensis é o principal agente etiológico, responsável pela maioria dos casos de leishmaniose cutânea e mucocutânea, enquanto L. amazonensis e L. guyanensis são mais comuns na região amazônica. A forma cutânea manifesta-se tipicamente como lesões ulceradas, que podem ser únicas ou múltiplas, com bordas elevadas e infiltradas. A principal complicação da infecção por L. braziliensis é a leishmaniose mucocutânea, que resulta da disseminação hematogênica ou linfática do parasita para as mucosas da nasofaringe, causando destruição tecidual grave. Outras formas incluem a leishmaniose cutânea difusa, uma forma rara e anérgica, e a leishmaniose cutânea localizada. O tratamento da leishmaniose cutânea varia conforme a espécie, número e tamanho das lesões, e o estado imunológico do paciente. O antimoniato de meglumina (Glucantime®) é a droga de primeira escolha, podendo ser administrado intralesional para lesões únicas e pequenas, ou sistemicamente para casos mais complexos. A anfotericina B, especialmente a lipossomal, é reservada para casos refratários, falha terapêutica, contraindicações aos antimonais ou formas graves como a visceral. A leishmaniose cutânea difusa, embora desafiadora, ainda tem o antimoniato como primeira linha, e a resistência não é uma característica intrínseca da forma clínica, mas sim uma dificuldade de resposta que pode exigir esquemas mais intensivos.
No Brasil, as principais espécies de Leishmania que causam a leishmaniose cutânea são a Leishmania braziliensis (mais comum e associada à forma mucosa), Leishmania amazonensis e Leishmania guyanensis, estas últimas mais prevalentes na região amazônica.
A Leishmania braziliensis tipicamente causa lesões cutâneas ulceradas, únicas ou múltiplas, com bordas elevadas e infiltradas, fundo granuloso e indolor. A principal complicação é a metástase para as mucosas da nasofaringe, levando à leishmaniose mucocutânea.
O antimoniato de meglumina intralesional pode ser uma opção para pacientes com lesão única de até 3 cm de diâmetro, da forma de leishmaniose cutânea localizada, mesmo quando causada pela Leishmania braziliensis, desde que não haja sinais de disseminação ou comprometimento mucoso.
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