USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem, 55 anos, apresenta lesões de pele (figura) há 4 meses. Nega dor ou sangramento no local. Tem hábito de pescar e relata que um colega de pescaria teve lesão semelhante há 1 ano. Traz biópsia de pele: infiltrado inflamatório linfo histiocitário com ocasionais células gigantes e rico em plasmócitos e visualizadas estruturas intracelulares nos macrófagos à coloração de Giemsa. Considerando o diagnóstico mais provável, qual exame está indicado?
Lesão cutânea crônica + biópsia com amastigotas + epidemiologia → Leishmaniose. Teste de Montenegro para resposta imune.
A biópsia com infiltrado inflamatório rico em plasmócitos e a visualização de estruturas intracelulares (amastigotas) em macrófagos à coloração de Giemsa, junto ao histórico epidemiológico, são altamente sugestivos de leishmaniose cutânea. O Teste de Montenegro avalia a imunidade celular ao parasita, sendo útil no diagnóstico e prognóstico.
A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. É endêmica em diversas regiões do Brasil e do mundo, sendo importante o reconhecimento de suas manifestações clínicas e epidemiológicas. A suspeita deve surgir em pacientes com lesões cutâneas crônicas, especialmente úlceras, em áreas expostas e com histórico de exposição em regiões de risco. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e disseminação da doença. O diagnóstico da leishmaniose cutânea baseia-se na combinação de dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. A biópsia da lesão, com pesquisa de amastigotas por coloração de Giemsa ou imuno-histoquímica, é o método padrão-ouro. O Teste de Montenegro, que avalia a hipersensibilidade tardia ao parasita, é um exame auxiliar importante, indicando contato prévio ou infecção. Outros métodos incluem cultura, PCR e sorologia, dependendo da apresentação clínica e espécie de Leishmania. O tratamento da leishmaniose cutânea varia conforme a espécie do parasita, a localização e o número de lesões, e o estado imunológico do paciente. Os antimonais pentavalentes são a primeira linha de tratamento, mas outras opções como miltefosina, anfotericina B e termoterapia podem ser utilizadas. O prognóstico geralmente é bom para a forma cutânea localizada, mas pode haver recidivas ou evolução para formas mucocutâneas mais graves se não tratada adequadamente. A educação sobre medidas de proteção contra o vetor é essencial para a prevenção.
A biópsia de pele na leishmaniose cutânea tipicamente revela um infiltrado inflamatório linfo-histiocitário, rico em plasmócitos e com ocasionais células gigantes. A visualização de amastigotas (formas intracelulares do parasita) dentro dos macrófagos, especialmente com coloração de Giemsa, é patognomônica.
O Teste de Montenegro (intradermorreação) é indicado para avaliar a resposta imune celular à Leishmania, sendo positivo em pacientes com infecção ativa ou prévia. É útil no diagnóstico de leishmaniose cutânea e mucocutânea, especialmente em áreas endêmicas e quando o diagnóstico parasitológico direto é difícil.
O histórico epidemiológico, como residência ou visita a áreas endêmicas, atividades ao ar livre (pesca, caça) e contato com casos semelhantes, é crucial para levantar a suspeita de leishmaniose. A transmissão ocorre pela picada de flebotomíneos infectados, e o conhecimento da exposição é fundamental para o diagnóstico.
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