Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019
Mulher 29 anos, apresenta ferimento em úlcera no nariz que se iniciou pequena, arredondada, profunda e com borda avermelhada, crescendo progressivamente. Não teve redução com o uso de medicamentos cicatrizantes comuns. Refere ter visitado Santarém e arredores há cerca de três meses. Após suspeita houve identificação do parasito em esfregaço de raspadura da lesão e teste de Montenegro positivo. O exame a ser realizado e o tratamento de primeira escolha são:
Úlcera cutânea crônica + viagem área endêmica + Montenegro positivo + parasito em esfregaço → Leishmaniose cutânea → tratar com Antimoniato de N-metil-glucamina.
A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária transmitida por flebotomíneos, caracterizada por lesões cutâneas ulceradas e crônicas. O diagnóstico é feito pela epidemiologia, clínica, teste de Montenegro e identificação do parasito. O tratamento de primeira escolha no Brasil é o Antimoniato de N-metil-glucamina (Glucantime).
A leishmaniose tegumentar americana (LTA) é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos infectados. É endêmica em diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia. A forma cutânea é a mais comum, caracterizada por lesões ulceradas na pele que podem ser únicas ou múltiplas, com evolução crônica e potencial de deixar cicatrizes desfigurantes. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com histórico epidemiológico relevante. A fisiopatologia envolve a infecção de macrófagos pelos parasitas, que se multiplicam e causam a resposta inflamatória local. O diagnóstico é baseado na epidemiologia (viagem a área endêmica), clínica (lesão típica), e exames laboratoriais. O teste de Montenegro, que avalia a hipersensibilidade tardia ao antígeno da Leishmania, é um importante auxiliar diagnóstico, sendo positivo na maioria dos casos de LTA. A confirmação parasitológica, através da identificação de amastigotas em esfregaços ou biópsias da lesão, é o padrão-ouro. O tratamento da leishmaniose cutânea visa a cura parasitológica e a cicatrização das lesões, prevenindo formas mucosas e disseminadas. Os antimoniais pentavalentes, como o Antimoniato de N-metil-glucamina (Glucantime), são a primeira linha de tratamento. A Anfotericina B é uma alternativa para casos refratários ou com contraindicações aos antimoniais. É crucial monitorar os efeitos adversos dos medicamentos e garantir a adesão ao tratamento para evitar recidivas e complicações.
A leishmaniose cutânea tipicamente se manifesta como uma úlcera crônica, indolor, com bordas elevadas e fundo granuloso, que não cicatriza espontaneamente. Pode iniciar como pápula ou nódulo que evolui para úlcera. A localização mais comum é em áreas expostas, como face e membros.
O diagnóstico laboratorial inclui a pesquisa direta do parasito (amastigotas) em esfregaços ou biópsias da lesão, cultura do material em meio específico, PCR e o teste intradérmico de Montenegro (ou leishmanina), que avalia a resposta imune celular e geralmente é positivo em casos de leishmaniose tegumentar americana.
No Brasil, o tratamento de primeira escolha para a leishmaniose cutânea é o Antimoniato de N-metil-glucamina (Glucantime), um antimonial pentavalente. A dose e a duração do tratamento variam conforme a espécie de Leishmania, a localização e o número de lesões, e a resposta do paciente, geralmente por 20 dias.
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