Leishmaniose Cutânea: Diagnóstico em Crianças com Úlceras

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 3 anos, proveniente da zona urbana. Há 2 meses apresentando lesões em membros inferiores, inicialmente eram pruriginosas e eritematosas e ao passar do tempo, aumentaram e ficaram ulceradas como demostrada na foto. Nega perda de apetite, perda de peso ou febre durante o período. Em sua cidade, algumas crianças tiveram as mesmas lesões. Qual o agente etiológico provável?

Alternativas

  1. A) Fusarium oxyspora.
  2. B) Paracoccidoides brasiliensis.
  3. C) Leishmania braziliensis.
  4. D) Bacilo de Koch.

Pérola Clínica

Lesões cutâneas ulceradas crônicas em criança de área endêmica → suspeitar de Leishmaniose Cutânea (L. braziliensis).

Resumo-Chave

Lesões cutâneas pruriginosas que evoluem para úlceras crônicas em membros inferiores de crianças, especialmente em áreas endêmicas e com histórico de casos semelhantes, são altamente sugestivas de leishmaniose cutânea, com Leishmania braziliensis sendo um agente etiológico comum no Brasil.

Contexto Educacional

A leishmaniose cutânea é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos infectados. No Brasil, Leishmania braziliensis é a espécie mais comum associada à forma cutânea, que se manifesta principalmente com lesões na pele. A doença é endêmica em diversas regiões, tanto rurais quanto periurbanas, e afeta crianças e adultos, sendo um importante problema de saúde pública devido à sua morbidade e potencial de cronicidade. As manifestações clínicas da leishmaniose cutânea geralmente começam com uma pápula pruriginosa no local da picada, que evolui para um nódulo e, posteriormente, para uma úlcera crônica. Essas úlceras são tipicamente indolores ou pouco dolorosas, com bordas elevadas e fundo granuloso, e podem ser únicas ou múltiplas. O diagnóstico é crucial e baseia-se na epidemiologia (procedência de área endêmica), na clínica e, principalmente, na identificação do parasita por métodos diretos (esfregaço, biópsia) ou moleculares. O tratamento da leishmaniose cutânea é fundamental para evitar a progressão da doença, o desenvolvimento de formas mucosas (mais graves) e a disseminação. Os medicamentos de escolha incluem antimoniais pentavalentes, anfotericina B e miltefosina, dependendo da espécie de Leishmania, da localização e extensão das lesões, e da idade do paciente. O manejo adequado requer um alto índice de suspeição em áreas endêmicas e a confirmação laboratorial para instituir a terapia correta.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da leishmaniose cutânea?

A leishmaniose cutânea tipicamente se manifesta como lesões papulares pruriginosas que evoluem para úlceras crônicas, indolores ou pouco dolorosas, com bordas elevadas e fundo granuloso, geralmente em áreas expostas.

Como é feito o diagnóstico de leishmaniose cutânea?

O diagnóstico é feito pela identificação do parasita (amastigotas) em esfregaços, biópsias ou culturas das lesões, ou por métodos moleculares como PCR. Testes sorológicos são menos úteis para a forma cutânea.

Qual o vetor da Leishmania braziliensis?

O vetor da Leishmania braziliensis, responsável pela leishmaniose cutânea no Brasil, é um mosquito flebotomíneo conhecido popularmente como "mosquito-palha" ou "birigui" (gênero Lutzomyia).

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