Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Uma paciente jovem comparece ao consultório com queixas de lesões cutâneas, eritematosas, acompanhadas de pápulas e vesículas, nas áreas expostas ao sol, como face, braços e pescoço. Ela relata que essas lesões surgiram após uma viagem para uma área rural, onde passou algum tempo ao ar livre, e que as lesões são intensamente pruriginosas. Ao exame, observam-se lesões ulceradas de bordas elevadas e bem delimitadas em algumas áreas, com presença de crostas e escoriações secundárias ao prurido. Considerando o contexto clínico e epidemiológico, qual é o diagnóstico mais provável?
Úlcera indolor com bordas elevadas 'em moldura' + Histórico rural = Leishmaniose Cutânea.
A leishmaniose cutânea manifesta-se como pápulas que evoluem para úlceras de fundo granulomatoso e bordas infiltradas (em moldura), tipicamente em áreas expostas e após exposição em áreas endêmicas/rurais.
A Leishmaniose Tegumentar Americana é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoários do gênero Leishmania. A transmissão ocorre pela picada de fêmeas de flebotomíneos infectados. É uma patologia de grande relevância no Brasil, com apresentações que variam desde a forma cutânea localizada até formas mucosas graves. Embora o prurido não seja o sintoma mais comum (as lesões costumam ser indolores), a presença de escoriações e crostas sugere infecção bacteriana secundária ou uma reação inflamatória intensa. O diagnóstico diferencial inclui impetigo, esporotricose, paracoccidioidomicose e carcinomas cutâneos. O tratamento padrão é realizado com antimoniais pentavalentes, sendo o antimoniato de meglumina a droga de escolha, sob vigilância de efeitos colaterais cardíacos e renais.
A lesão clássica da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) começa como uma pápula eritematosa no local da picada do mosquito palha (Lutzomyia). Esta pápula evolui para uma úlcera indolor, com formato arredondado ou ovalado, fundo granulomatoso avermelhado e bordas elevadas, infiltradas e bem delimitadas, conhecidas como 'bordas em moldura'. Podem ser únicas ou múltiplas, localizadas preferencialmente em áreas expostas do corpo.
A leishmaniose é uma zoonose vinculada a áreas de mata, zonas rurais ou periurbanas com vegetação. O relato de viagem para essas áreas ou residência em locais endêmicos é um pilar diagnóstico. No caso clínico, a viagem para área rural e o surgimento de lesões em áreas expostas (face, braços) direcionam fortemente para a picada do vetor infectado pelo protozoário do gênero Leishmania.
A confirmação pode ser feita por: 1) Pesquisa direta do parasita em esfregaço da lesão (imprint ou raspado); 2) Exame histopatológico de biópsia da borda da lesão; 3) Reação Intradérmica de Montenegro (que avalia a imunidade celular, mas pode ser negativa em fases muito iniciais); ou 4) Métodos moleculares como o PCR, que possui alta sensibilidade.
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