Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 54 anos, procura atendimento médico devido a dor incaracterística localizada em região do mesogástrio há 3 meses. Nega náuseas, vômitos ou febre. Refere sensação de empachamento pós-prandial, mas nega ina- petência. Perda ponderal de dois quilos no período. Não apresenta comorbidades e é tabagista (1 maço a cada 2 semanas, há 10 anos). O exame físico mostra a pre- sença de massa pouco dolorosa localizada em região do mesogástrio. A tomografia computadorizada do abdome é mostrada a seguir. A principal hipótese diagnóstica e conduta são, respectivamente:
Massa mesogástrio + dor incaracterística + perda ponderal + tabagismo + TC sugestiva → leiomiossarcoma retroperitoneal, conduta: ressecção cirúrgica.
Uma massa em mesogástrio, associada a sintomas inespecíficos como dor e perda ponderal em um paciente tabagista, com achados de imagem sugestivos de lesão sólida retroperitoneal, deve levantar a suspeita de leiomiossarcoma retroperitoneal, cuja conduta principal é a ressecção cirúrgica.
O leiomiossarcoma retroperitoneal é um tipo raro e agressivo de sarcoma de partes moles que se origina das células musculares lisas do retroperitônio. Devido à sua localização profunda e à capacidade de crescer consideravelmente antes de causar sintomas específicos, o diagnóstico é frequentemente tardio. Os sintomas são inespecíficos, como dor abdominal incaracterística, sensação de massa, empachamento pós-prandial e perda ponderal inexplicada, o que torna o índice de suspeita clínica crucial. A investigação de uma massa abdominal com esses sintomas em um paciente com fatores de risco (como tabagismo) deve incluir exames de imagem avançados. A tomografia computadorizada (TC) do abdome é a modalidade de escolha para caracterizar a massa, determinar sua extensão, relação com estruturas adjacentes e buscar evidências de metástases. Embora a biópsia seja necessária para a confirmação histopatológica, a TC pode sugerir a natureza sarcomatosa da lesão. O tratamento do leiomiossarcoma retroperitoneal é desafiador e a ressecção cirúrgica completa (R0) é a única chance de cura. A cirurgia deve ser realizada por equipe experiente, visando a remoção de todo o tumor com margens livres. A quimioterapia e a radioterapia podem ser consideradas em cenários neoadjuvantes, adjuvantes ou paliativos, dependendo do estágio da doença e das características histopatológicas. O prognóstico é variável e depende da ressecabilidade, grau histológico e presença de metástases.
Os sintomas de um leiomiossarcoma retroperitoneal são frequentemente inespecíficos e tardios, incluindo dor abdominal ou lombar, sensação de massa, empachamento, perda ponderal, náuseas e vômitos, dependendo do tamanho e localização do tumor.
A tomografia computadorizada (TC) do abdome é fundamental para o diagnóstico de massas retroperitoneais, permitindo avaliar o tamanho, localização, relação com órgãos adjacentes, características da lesão (sólida, cística) e presença de metástases, auxiliando na suspeita diagnóstica.
A principal conduta terapêutica para o leiomiossarcoma retroperitoneal é a ressecção cirúrgica completa (R0), quando possível. A quimioterapia e a radioterapia podem ser utilizadas como adjuvantes ou em casos de doença avançada/irressecável, mas a cirurgia é a base do tratamento curativo.
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