SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Uma paciente de 36 anos de idade, tentando engravidar, sem histórico de doenças ginecológicas relevantes, queixa-se de menstruação abundante e dor pélvica intermitente. Ao exame físico, o útero está aumentado e sensível. Uma ultrassonografia transvaginal revela a presença de um leiomioma intramural de classificação FIGO 3, de 5cm, localizado na parede posterior do útero, com características sugestivas de degeneração. A paciente está interessada em discutir opções de tratamento, já que deseja manter a fertilidade.Identifique o tratamento medicamentoso mais indicado para reduzir o tamanho do leiomioma antes de um procedimento cirúrgico, caso venha a ser indicado:
Análogos de GnRH → ↓ volume do mioma e ↑ hematócrito antes da cirurgia (uso por 3-6 meses).
Os análogos de GnRH induzem um estado de hipoestrogenismo temporário, reduzindo o volume uterino e dos leiomiomas, facilitando procedimentos cirúrgicos e permitindo a recuperação de anemia.
O leiomioma uterino é a neoplasia benigna mais comum do trato genital feminino. Em pacientes que desejam manter a fertilidade, a miomectomia é o tratamento cirúrgico de escolha. No entanto, miomas volumosos ou localizações desfavoráveis podem aumentar a morbidade cirúrgica e o risco de sangramento intraoperatório. O uso de análogos de GnRH no pré-operatório é uma estratégia bem estabelecida para otimizar o desfecho cirúrgico. Ao induzir um estado hipoestrogênico, essas medicações reduzem a vascularização pélvica e o tamanho dos nódulos. É importante ressaltar que, embora eficazes na redução volumétrica, os análogos de GnRH não devem ser usados como terapia isolada de longo prazo devido aos efeitos colaterais sistêmicos e ao rebote do crescimento tumoral após a interrupção.
Os análogos de GnRH (como a leuprolida) promovem inicialmente um 'flare-up' de gonadotrofinas, seguido pela dessensibilização e down-regulation dos receptores de GnRH na hipófise. Isso leva a um estado de hipogonadismo hipogonadotrófico (menopausa farmacológica), reduzindo drasticamente os níveis de estrogênio e progesterona, que são os principais estímulos para o crescimento dos leiomiomas.
O uso clínico geralmente é limitado a um período de 3 a 6 meses. Esse tempo é suficiente para atingir a redução máxima de volume (cerca de 30-50%) e permitir a correção de anemia ferropriva secundária ao sangramento uterino anormal. O uso prolongado além de 6 meses é evitado devido aos efeitos colaterais do hipoestrogenismo, como a perda de massa óssea.
As principais indicações incluem a redução do volume de grandes miomas para facilitar a via cirúrgica (ex: converter uma laparotomia em laparoscopia ou uma histerectomia em miomectomia), controle do sangramento uterino grave para recuperação dos níveis de hemoglobina e redução de sintomas compressivos antes do tratamento definitivo.
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