Indicações de Histerectomia na Leiomiomatose Uterina

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 45 anos de idade, Gesta 3 Para 3, comparece em consulta no ambulatório de ginecologia. Relata aumento do fluxo menstrual e episódios de sangramento vaginal fora do período menstrual, que vêm ocorrendo há 6 meses. A paciente refere laqueadura tubária realizada há 5 anos. O exame especular não apresenta anormalidades. Ao toque vaginal, detecta-se útero aumentado de volume e de consistência endurecida. O exame de citologia cervicovaginal realizado há dois meses apresenta resultado satisfatório e normal. No resultado da ultrassonografia transvaginal realizada há um mês, constata-se volume uterino = 488 cm³, contendo diversos nódulos hipoecoicos compatíveis com leiomiomas uterinos submucosos, intramurais e subserosos. Nesse caso, a conduta indicada é:

Alternativas

  1. A) Realizar histerectomia.
  2. B) Realizar miomectomia.
  3. C) Prescrever análogo do hormônio liberador de gonadotrofina.
  4. D) Prescrever anticoncepcional combinado por via oral, com uso contínuo.

Pérola Clínica

Mioma sintomático + prole constituída + útero volumoso (>250-300cm³) → Histerectomia.

Resumo-Chave

Em pacientes com prole completa e útero significativamente aumentado com múltiplos nódulos sintomáticos, a histerectomia é o tratamento definitivo de escolha.

Contexto Educacional

A leiomiomatose uterina é a neoplasia benigna mais comum do trato genital feminino, ocorrendo em até 70-80% das mulheres ao longo da vida. A decisão terapêutica deve ser individualizada, baseando-se na gravidade dos sintomas, idade da paciente, desejo de gestação futura e volume/localização dos miomas. No caso clínico apresentado, a paciente apresenta sintomas significativos (aumento do fluxo e sangramento intermenstrual) e um útero com quase 5 vezes o volume normal. A presença de miomas submucosos é particularmente associada ao sangramento intenso. Como a paciente já possui laqueadura e prole completa, a histerectomia (total ou subtotal) oferece a cura definitiva para os sintomas, eliminando o risco de recorrência e a necessidade de intervenções futuras.

Perguntas Frequentes

Por que a histerectomia é preferível à miomectomia neste caso?

Nesta paciente de 45 anos, com prole constituída (G3P3) e laqueadura prévia, não há desejo de preservação da fertilidade. O útero apresenta um volume muito aumentado (488 cm³, sendo o normal até 90-100 cm³) com múltiplos nódulos em diversas localizações (submucosos, intramurais e subserosos). A miomectomia em um útero deste volume e com múltiplos nódulos é tecnicamente difícil, apresenta maior risco de sangramento intraoperatório e uma alta taxa de recorrência de sintomas, tornando a histerectomia a opção mais definitiva e segura.

Quando considerar o tratamento clínico ou análogos de GnRH?

O tratamento clínico (anticoncepcionais, DIU de levonorgestrel) é geralmente a primeira linha para controle de sangramento em úteros menores. Os análogos de GnRH são reservados principalmente para o pré-operatório de miomas volumosos, visando reduzir o volume uterino e tratar a anemia antes da cirurgia definitiva. Eles não são uma solução de longo prazo devido aos efeitos colaterais do hipoestrogenismo e ao rebote do volume uterino após a suspensão. No caso descrito, a magnitude do volume e a falha potencial de métodos conservadores reforçam a indicação cirúrgica.

Quais são as principais indicações cirúrgicas para leiomiomas?

As indicações clássicas para tratamento cirúrgico da leiomiomatose incluem: sangramento uterino anormal que causa anemia ou impacta a qualidade de vida, dor pélvica crônica ou compressão de órgãos adjacentes (bexiga/reto), crescimento rápido do útero, infertilidade (especialmente nos miomas submucosos) e volume uterino total que dificulte o acompanhamento ou cause desconforto abdominal (geralmente acima de 250-300 cm³).

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