Investigação de Sangramento Uterino Anormal e Miomatose

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 42 anos de idade, com história de ciclos menstruais regulares até o momento, apresenta um quadro de sangramento uterino anormal (SUA) iniciado há, aproximadamente, 3 meses. Relata episódios de sangramento menstrual intenso, com duração superior a 10 dias e necessidade de trocas frequentes de absorventes. Além disso, tem notado aumento da frequência urinária e sensação de peso na pelve. Ao exame físico, observa-se um útero aumentado de volume (fundo próximo da cicatriz umbilical), com consistência normal à palpação. O exame especular revela sangramento ativo de baixo fluxo. O exame de ultrassonografia transvaginal mostra um útero de tamanho aumentado, com lesões arredondadas e hipoecoicas intramurais. O endométrio tem espessura de 10,0mm, sem sinais evidentes de lesão focal.Indique o exame complementar para investigar a causa do sangramento uterino anormal e avaliar sua relação com o diagnóstico principal:

Alternativas

  1. A) Histeroscopia com biópsia endometrial.
  2. B) Colpocitologia oncótica para rastreamento de câncer cervical.
  3. C) Ressonância magnética pélvica para avaliar a extensão das lesões.
  4. D) Laparoscopia para investigação de endometriose.

Pérola Clínica

Útero volumoso (nível umbilical) + SUA + Miomas múltiplos → RM pélvica para mapeamento.

Resumo-Chave

A Ressonância Magnética de pelve é o exame de escolha para o mapeamento detalhado de miomas em úteros muito aumentados, superando a ultrassonografia na definição da topografia e relação com estruturas adjacentes.

Contexto Educacional

O Sangramento Uterino Anormal (SUA) em mulheres na quarta década de vida deve ser investigado sistematicamente seguindo a classificação PALM-COEIN da FIGO. A leiomiomatose (L) é a causa estrutural mais comum. Quando o exame físico revela um útero de grandes dimensões (fundo na cicatriz umbilical sugere cerca de 20 semanas de gestação ou volume > 500-1000 cm³), a propedêutica por imagem deve ser precisa. A Ressonância Magnética de pelve destaca-se por sua alta resolução de contraste, permitindo diferenciar miomas de adenomiose e identificar a localização precisa dos nódulos. Isso é crucial para decidir entre tratamentos conservadores (como embolização de artérias uterinas ou miomectomia) e tratamentos definitivos. Além disso, a RM avalia sintomas compressivos (como o aumento da frequência urinária relatado pela paciente) ao mostrar a relação do útero com a bexiga e ureteres.

Perguntas Frequentes

Por que a RM é preferível à USG em úteros muito volumosos?

A ultrassonografia transvaginal possui limitações técnicas quando o útero ultrapassa o volume de 200-300 cm³ ou atinge níveis abdominais (como a cicatriz umbilical), devido à perda de profundidade do transdutor e sombra acústica dos miomas. A Ressonância Magnética (RM) oferece um campo de visão amplo, permitindo o mapeamento exato de cada nódulo, sua classificação FIGO e a relação com o endométrio e serosa, sendo essencial para o planejamento cirúrgico (miomectomia ou histerectomia).

Qual a relação entre miomas intramurais e sangramento intenso?

Miomas intramurais (FIGO 3, 4 e 5) causam sangramento uterino anormal (SUA) principalmente por aumentarem a superfície total do endométrio, alterarem a contratilidade miometrial e causarem congestão venosa no plexo endometrial. Mesmo sem invadir a cavidade (submucosos), o volume e a distorção vascular que provocam são causas frequentes de hipermenorreia e anemia ferropriva.

Quando a histeroscopia deve ser solicitada na investigação do SUA?

A histeroscopia é o padrão-ouro para avaliar a cavidade endometrial. Deve ser solicitada quando há suspeita de lesões focais intracavitárias, como pólipos ou miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2), ou quando o endométrio está espessado/irregular na USG. No caso de miomas puramente intramurais em útero volumoso, a RM é mais informativa para a estratégia terapêutica global.

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