MedEvo Simulado — Prova 2026
Mulher de 39 anos, nuligesta, com desejo reprodutivo imediato, queixa-se de sangramento uterino aumentado e cólicas pélvicas há cerca de um ano. Nega comorbidades ou uso de medicações contínuas. Ao exame físico, apresenta útero de tamanho normal, indolor à palpação, e exame especular sem sangramento ativo no momento. A ultrassonografia transvaginal evidencia útero de volume normal (85 cm³), com nódulo sólido hipoecoico de 2,5 cm localizado em parede anterior. A histerossonografia complementar revela que o nódulo abaula a cavidade endometrial, com aproximadamente 35% de seu volume projetando-se para o interior da cavidade e a maior parte (65%) localizada na camada miometrial. De acordo com a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e o desejo da paciente, o diagnóstico classificatório do nódulo e a conduta mais adequada são:
Mioma FIGO 2 = Submucoso, >50% intramural. Conduta → Miomectomia Histeroscópica.
Miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2) são causas frequentes de sangramento uterino aumentado e infertilidade, sendo a via histeroscópica a preferencial para tratamento.
O leiomioma uterino é a neoplasia benigna mais comum do trato genital feminino. A classificação da FIGO é essencial para definir a estratégia cirúrgica. Miomas submucosos (Grupo 0-2) impactam diretamente a receptividade endometrial e a contratilidade uterina, justificando o tratamento em pacientes sintomáticas ou com infertilidade. A histerossonografia e a ressonância magnética são exames superiores à ultrassonografia convencional para mapear a relação do nódulo com a cavidade e o miométrio circundante (margem de segurança miometrial), o que previne perfurações uterinas durante o procedimento histeroscópico.
A diferenciação baseia-se na proporção do nódulo dentro da parede miometrial. O mioma FIGO 1 possui menos de 50% do seu volume no miométrio (maior parte intracavitária). Já o mioma FIGO 2 possui 50% ou mais do seu volume localizado na camada miometrial, mas ainda abaulando a cavidade endometrial.
A miomectomia por histeroscopia é o padrão-ouro para miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2). Em casos de FIGO 2 volumosos ou profundos, pode ser necessária uma técnica em dois tempos ou o uso de energia bipolar/morceladores histeroscópicos para garantir a segurança e a remoção completa.
A paciente apresenta desejo reprodutivo imediato. A embolização de artérias uterinas pode comprometer a reserva ovariana e a vascularização endometrial, sendo geralmente evitada em mulheres que ainda desejam gestar, preferindo-se a abordagem cirúrgica conservadora (miomectomia).
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