Leiomioma Uterino: Diagnóstico em Mulheres com Hipermenorragia

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 44 anos de idade, negra, com queixa de hipermenorragia e dismenorreia, com piora progressiva há 2 anos. Nega hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e outras doenças crônicas. Antecedentes menstruais: menarca aos 13 anos; ciclos atuais com intervalo de 27 dias, duração de 8 dias e quantidade de fluxo subjetivamente aumentada, com cólicas e uso de anti-inflamatórios; última menstruação há 17 dias. Antecedentes sexuais: coitarca aos 18 anos; nega infecção sexualmente transmissível; em abstinência sexual há 6 meses. Antecedentes ginecológicos: nega doenças prévias, tem colpocitologia oncológica (exame de papanicolaou) e mamografia normais há 2 anos e está sem acompanhamento desde então. Antecedentes obstétricos: 2 gestações, 2 partos normais. Antecedentes familiares: mãe falecida em acidente automobilístico aos 30 anos, previamente hígida; irmã de 40 anos, com quadro clínico semelhante ao seu, em investigação. Ao exame físico: descorada ++, eupneica, pulso = 88 bpm, pressão arterial = 113 x 78 mmHg, altura de 155cm e peso de 73kg. Ao exame físico ginecológico: genitais externos sem alterações, exame especular sem alterações e exame de toque vaginal com útero aparentemente aumentado, porém de difícil delimitação devido à obesidade abdominal. Traz exame de sangue recém realizado, com resultado de Hemoglobina = 10,1 g/dL. Diante do quadro clínico apresentado, qual a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Leiomioma uterino
  2. B) Câncer de endométrio
  3. C) Climatério
  4. D) Plaquetopenia idiopática

Pérola Clínica

Mulher > 40 anos, hipermenorragia, dismenorreia, útero aumentado e anemia → alta suspeita de Leiomioma uterino.

Resumo-Chave

O leiomioma uterino é a hipótese mais provável devido à idade da paciente (>40 anos), raça negra (fator de risco), queixas de hipermenorragia e dismenorreia progressivas, útero aumentado ao toque e anemia, que são manifestações clássicas dessa condição.

Contexto Educacional

O leiomioma uterino, popularmente conhecido como mioma, é o tumor benigno mais comum do trato genital feminino, afetando cerca de 20-40% das mulheres em idade reprodutiva, com maior incidência em mulheres negras e na perimenopausa. Sua etiologia está ligada a fatores hormonais (estrogênio e progesterona) e genéticos. As manifestações clínicas dependem do tamanho, número e localização dos miomas. Os sintomas mais frequentes incluem sangramento uterino anormal (hipermenorragia, menorragia), dismenorreia (cólicas menstruais intensas), dor pélvica crônica e sintomas compressivos em órgãos adjacentes, como bexiga e reto. A hipermenorragia prolongada pode levar à anemia ferropriva, como observado no caso da paciente. Ao exame físico, o útero pode estar aumentado, irregular e de consistência firme. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história clínica e exame físico, sendo confirmado pela ultrassonografia transvaginal, que é o método de imagem de primeira linha. Outros exames como ressonância magnética podem ser úteis em casos complexos. O tratamento é individualizado, variando desde a observação e manejo sintomático até intervenções medicamentosas (como agonistas de GnRH, moduladores seletivos de receptores de progesterona) ou cirúrgicas (miomectomia para preservação da fertilidade ou histerectomia para tratamento definitivo).

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns do leiomioma uterino?

Os sintomas mais comuns incluem sangramento uterino anormal (hipermenorragia, menorragia), dismenorreia, dor pélvica crônica, sensação de peso ou pressão pélvica, e sintomas compressivos em órgãos adjacentes (polaciúria, constipação).

Como é feito o diagnóstico de leiomioma uterino?

O diagnóstico é inicialmente clínico, baseado nos sintomas e no exame físico (útero aumentado, irregular). A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem de escolha para confirmar a presença, número, tamanho e localização dos miomas.

Quais são as opções de tratamento para leiomioma uterino?

O tratamento varia conforme os sintomas, tamanho dos miomas, desejo de gestação e idade da paciente. Pode incluir manejo expectante, tratamento medicamentoso (hormonal ou não hormonal), embolização de artérias uterinas, miomectomia (cirúrgica ou histeroscópica) ou histerectomia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo