Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024
Paciente de 30 anos, nuligesta, refere ciclos menstruais de 28 dias, fluxo de 7 dias, com queixa de sangramento menstrual aumentado acompanhado de cólica menstrual nos três primeiros dias do fluxo. Nega comorbidades, contracepção com preservativo masculino. Exame ginecológico (décimo dia do ciclo): genitais externos sem alteração; especular conteúdo vaginal habitual, colo epitelizado; toque vaginal útero antevertido pouco aumentado, não doloroso à mobilização, regiões anexiais normais. O ultrassom endovaginal apresenta achado de leiomioma de 2 cm com componente intramural e subseroso (FIGO 6). Qual é a conduta mais adequada para controle das alterações menstruais desta paciente?
Leiomioma com sangramento e dismenorreia → Progesterona cíclica (16º-25º dia) para regularizar ciclo e reduzir fluxo.
O leiomioma uterino, mesmo pequeno (2 cm), pode causar sangramento uterino anormal e dismenorreia. A progesterona administrada na fase lútea (do 16º ao 25º dia do ciclo) ajuda a estabilizar o endométrio, reduzindo o sangramento e a cólica menstrual, sendo uma opção clínica eficaz para controle dos sintomas em pacientes que não desejam cirurgia ou contracepção hormonal combinada.
O leiomioma uterino, também conhecido como mioma, é o tumor benigno mais comum do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Embora muitos sejam assintomáticos, podem causar menorragia, dismenorreia, dor pélvica crônica e sintomas compressivos, impactando a qualidade de vida e a fertilidade. A classificação FIGO ajuda a categorizar os miomas pela localização, influenciando a sintomatologia e as opções terapêuticas. A fisiopatologia dos sintomas está relacionada ao tamanho, número e localização dos miomas. Miomas intramurais e submucosos (mesmo que pequenos) são mais propensos a causar sangramento e dor. O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia transvaginal, que permite avaliar a localização, tamanho e número dos nódulos. É crucial considerar o desejo reprodutivo da paciente ao planejar o tratamento. O tratamento do leiomioma sintomático pode ser clínico, cirúrgico ou intervencionista. Para controle de sangramento e dismenorreia, especialmente em pacientes que não desejam contracepção combinada ou que têm contraindicações, a terapia com progesterona cíclica é uma opção eficaz. Ela atua estabilizando o endométrio e reduzindo o fluxo menstrual. Outras opções incluem DIU hormonal, análogos de GnRH, embolização de artérias uterinas ou miomectomia, dependendo da gravidade dos sintomas e planos futuros da paciente.
Leiomiomas podem aumentar a superfície endometrial, alterar a contratilidade uterina e a vascularização, levando a sangramento menstrual intenso (menorragia). A dismenorreia pode ocorrer devido à compressão ou à liberação de prostaglandinas.
A progesterona estabiliza o endométrio, induzindo atrofia glandular e decidualização, o que reduz o sangramento. Administrada na fase lútea, ela mimetiza o ciclo natural e ajuda a regularizar o fluxo.
Outras opções incluem contraceptivos orais combinados, DIU hormonal (levonorgestrel), análogos de GnRH, embolização de artérias uterinas, miomectomia (cirúrgica ou histeroscópica) e histerectomia, dependendo da gravidade dos sintomas e desejo da paciente.
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