USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente, nuligesta, 32 anos, deseja engravidar. Sem comorbidades e exame físico normal, realiza o exame ultrassonográfico pélvico descrito: Exame realizado no 17º dia do ciclo: ⦁ Útero antevertido, com contornos regulares. ⦁ Medidas uterinas: 8,2 x 4,9 x 4,3 cm (L x T x AP). Volume: 86,4 cm³ (normal até 90 cm?). Presença de imagem compatível com leiomioma com 2,0 cm de diâmetro, intramural em parede uterina anterior (classificação FIGO = 5). ⦁ Endométrio linear centrado com espessura de 1,3 cm (normal até 1,4 cm). ⦁ Ovário direito com textura característica e contornos normais. Presença de corpo lúteo medindo 1,9 x 1,7 x 1,4 cm. ⦁ Medidas do ovário: 3,2 x 2,8 x 2,6 cm. Volume: 11,6 cm³ (normal até 10 cm³). ⦁ Ovário esquerdo com textura característica e contornos normais. Medidas do ovário: 34 x 2,7 x 2,2 cm. Volume: 10,1 cm³ (normal até 10 cm³). ⦁ Ausência de líquido livre na cavidade peritoneal. Considerando o desejo reprodutivo e o diagnóstico de leiomioma uterino, assinale qual é a conduta mais adequada para essa paciente.
Leiomioma intramural pequeno (FIGO 5) em nuligesta assintomática com desejo reprodutivo → seguimento clínico é a conduta inicial.
Um leiomioma intramural de 2,0 cm (FIGO 5) geralmente não deforma a cavidade endometrial e raramente causa infertilidade ou complicações na gravidez. Em uma paciente assintomática com desejo de engravidar, a conduta mais adequada é o seguimento clínico, permitindo a tentativa de concepção espontânea.
Leiomiomas uterinos, também conhecidos como miomas ou fibromas, são os tumores benignos mais comuns do útero, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Embora a maioria seja assintomática, podem causar sangramento uterino anormal, dor pélvica, sintomas compressivos e, em alguns casos, infertilidade ou complicações na gravidez. A classificação FIGO é fundamental para determinar a localização e o potencial impacto na cavidade endometrial. A relação entre leiomiomas e infertilidade é complexa e depende principalmente da localização, tamanho e número dos miomas. Miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2), que se projetam para a cavidade uterina, são os que mais consistentemente afetam a fertilidade e aumentam o risco de abortamento. Miomas intramurais (FIGO 3, 4, 5), como o descrito na questão, geralmente têm menor impacto, a menos que sejam muito grandes ou deformem significativamente a cavidade. Miomas subserosos (FIGO 6, 7) e pediculados (FIGO 8) raramente afetam a fertilidade. Para uma paciente nuligesta de 32 anos com desejo reprodutivo e um leiomioma intramural pequeno (2,0 cm, FIGO 5) que não deforma a cavidade endometrial e sem outros sintomas, a conduta mais adequada é o seguimento clínico. Não há evidências de que um mioma com essas características impeça a concepção ou aumente significativamente os riscos gestacionais. Intervenções como miomectomia, embolização ou uso de análogos de GnRH carregam riscos e podem atrasar o processo de engravidar, sendo reservadas para miomas sintomáticos ou que comprovadamente afetam a fertilidade.
A classificação FIGO descreve a localização do mioma. Miomas submucosos (FIGO 0, 1, 2) que deformam a cavidade endometrial são os mais associados à infertilidade e abortamento. Miomas intramurais (FIGO 3, 4, 5) e subserosos (FIGO 6, 7) têm menor impacto, especialmente se pequenos e não deformadores.
A miomectomia é indicada para leiomiomas sintomáticos (sangramento uterino anormal, dor, compressão) ou para miomas que comprovadamente afetam a fertilidade, como os submucosos ou intramurais grandes que deformam a cavidade.
A embolização de mioma pode comprometer a reserva ovariana e não é recomendada para pacientes que desejam engravidar. Análogos de GnRH induzem um estado hipoestrogênico, reduzindo o tamanho do mioma temporariamente, mas não são curativos e não são compatíveis com a tentativa de concepção.
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