UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Uma mulher de 32 anos, nuligesta, queixa-se de sangramento menstrual aumentado e dor no baixo ventre. O exame ginecológico é normal, citopatológico cervicovaginal inflamatório leve e ultrassonografia transvaginal com útero de 110cm³ , apresentando hipoecoico de 2cm de diâmetro sugestivo de leiomioma tipo 0 (FIGO, 2011), confirmado pela histerossonografia. A conduta é:
Leiomioma submucoso tipo 0 (FIGO) em nuligesta com sintomas → Histeroscopia cirúrgica com miomectomia é a conduta ideal.
A paciente apresenta um leiomioma submucoso tipo 0, que é totalmente intracavitário, causando sangramento menstrual aumentado e dor. Para uma mulher nuligesta que deseja preservar o útero e a fertilidade, a histeroscopia cirúrgica com miomectomia é a abordagem de escolha, pois é minimamente invasiva, remove o mioma e alivia os sintomas, com excelentes resultados e baixa morbidade.
Os leiomiomas uterinos, ou miomas, são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva. Embora muitos sejam assintomáticos, podem causar sangramento uterino anormal, dor pélvica, sintomas compressivos e problemas de fertilidade. A classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) categoriza os miomas com base em sua localização em relação à parede uterina, sendo o tipo 0 o submucoso totalmente intracavitário, o tipo 1 e 2 submucosos com componente intramural, e assim por diante. Essa classificação é crucial para guiar a conduta terapêutica. No caso de um leiomioma submucoso tipo 0, como o descrito na questão, a sua localização dentro da cavidade uterina é a principal responsável pelos sintomas de sangramento intenso e dor. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal e confirmado por histerossonografia ou histeroscopia diagnóstica, que permitem visualizar a lesão e sua relação com o endométrio. A fisiopatologia dos miomas envolve fatores genéticos, hormonais (estrogênio e progesterona) e de crescimento, levando à proliferação de células musculares lisas do miométrio. Para mulheres sintomáticas, especialmente nuligestas que desejam preservar a fertilidade, a miomectomia histeroscópica é a conduta de escolha para miomas submucosos tipo 0. Este procedimento permite a remoção completa do mioma por via vaginal, utilizando um histeroscópio para visualizar e ressecar a lesão. É uma técnica minimamente invasiva, com excelentes taxas de sucesso na resolução dos sintomas e na melhora da fertilidade, com menor morbidade em comparação com abordagens abdominais. Outras opções, como tratamento clínico ou histerectomia, seriam menos adequadas para este cenário específico.
Um leiomioma submucoso tipo 0, segundo a classificação FIGO, é um mioma que se projeta completamente para dentro da cavidade uterina, sendo totalmente intracavitário e pediculado. Essa localização o torna ideal para remoção por via histeroscópica.
Os leiomiomas submucosos são frequentemente associados a sangramento uterino anormal, como menorragia (sangramento menstrual intenso e prolongado) e metrorragia (sangramento irregular entre os períodos). Podem também causar dor pélvica, dismenorreia e, em alguns casos, infertilidade ou abortos de repetição.
A histeroscopia cirúrgica é a melhor opção porque permite a remoção completa do mioma por via vaginal, sem incisões abdominais. É um procedimento minimamente invasivo, com rápida recuperação, menor risco de complicações e preservação da fertilidade, sendo altamente eficaz para miomas totalmente intracavitários.
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