MedEvo Simulado — Prova 2026
Fabiana, 41 anos, nuligesta, queixa-se de sangramento uterino anormal caracterizado por aumento expressivo do fluxo menstrual e duração de 10 dias, associado a cólicas intensas no período. Ao exame físico, apresenta útero aumentado de volume, com cerca de 12 cm, superfície irregular e consistência firme. O colo uterino não apresenta alterações ao exame especular. A ultrassonografia transvaginal demonstra útero com volume de 180 cm³, apresentando os seguintes achados: nódulo A (subseroso, 3,5 cm), nódulo B (intramural, 2,0 cm, sem contato com o endométrio) e nódulo C (2,2 cm, localizado na parede posterior, com 65% de seu volume projetado para o interior da cavidade endometrial). De acordo com a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), qual é o diagnóstico do nódulo que apresenta maior correlação clínica com a hipermenorreia relatada?
FIGO 1 = Mioma submucoso com < 50% de componente intramural (maior parte intracavitária).
A classificação FIGO categoriza miomas de 0 a 8. Miomas submucosos (0-2) são os que mais causam sangramento; o tipo 1 tem > 50% do volume na cavidade endometrial.
A leiomiomatose uterina é a neoplasia benigna mais comum do trato genital feminino. A classificação da FIGO (integrada ao sistema PALM-COEIN) é fundamental para o planejamento terapêutico. Miomas subserosos (FIGO 5-7) raramente causam sangramento, manifestando-se por sintomas compressivos. Já os submucosos (FIGO 0-2) são os grandes vilões do sangramento uterino anormal. O caso clínico descreve um nódulo com 65% de volume intracavitário, o que define o tipo FIGO 1 (menos de 50% intramural). A correlação clínica entre a localização submucosa e a intensidade do sangramento é alta, justificando a investigação por ultrassonografia transvaginal ou histerossonografia.
Todos são submucosos, mas variam na extensão intramural. O FIGO 0 é totalmente intracavitário (pedunculado). O FIGO 1 possui um componente intramural, mas este é inferior a 50% do volume total do nódulo (ou seja, mais de 50% está na cavidade). O FIGO 2 possui um componente intramural igual ou superior a 50% (ou seja, a maior parte do nódulo está 'mergulhada' no miométrio, mas ainda abaula o endométrio).
Os miomas submucosos distorcem a cavidade endometrial, aumentando a área de superfície do endométrio que descama durante a menstruação. Além disso, eles interferem na contratilidade miometrial e na angiogênese local, levando a uma vascularização frágil e congestão venosa crônica na mucosa sobrejacente, o que resulta em hipermenorreia e menorragia severas, mesmo em nódulos pequenos.
O tratamento padrão-ouro para miomas submucosos sintomáticos (FIGO 0, 1 e 2) é a miomectomia histeroscópica. Nódulos FIGO 0 e 1 são geralmente mais fáceis de ressecar em tempo único. Nódulos FIGO 2, devido ao grande componente intramural, podem exigir o uso de análogos de GnRH pré-operatórios para reduzir o volume ou uma cirurgia em dois tempos para garantir a segurança e evitar perfuração uterina ou sobrecarga hídrica.
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