PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Leia o relato do caso clínico a seguir: Paciente, sexo masculino, 45 anos, hipertenso em uso de losartana 100 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia. Há 2 dias apresenta dor, edema, calor e rubor exuberantes no joelho direito. Refere que o primeiro episódio semelhante ocorreu há cerca de 10 anos, sendo que, nos últimos 3 anos, vem apresentando 3 a 4 episódios semelhantes por ano. Nega febre, nega trauma no local, nega sintomas respiratórios ou do trato gastrointestinal. Traz os seguintes exames: Ácido úrico = 7,2 mg/dL, valor de referência (VR) = 3,0 - 7,0 mg/dL; Creatinina = 2,3 mg/dL (VR = 0,6 - 1,1 mg/dL); Taxa de filtração glomerular = 30 mL/min (VR>90 mL/min). De acordo com o relato, qual é o fármaco indicado para este caso?
Crise de gota + DRC (ClCr < 30) → Corticoide sistêmico (evitar AINE e Colchicina).
Em pacientes com doença renal crônica avançada (TFG < 30 mL/min), os corticoides são a primeira linha para gota aguda devido à toxicidade renal de AINEs e colchicina.
O manejo da artrite gotosa aguda visa a redução rápida da inflamação e da dor. As três opções clássicas são AINEs, colchicina e corticoides. No entanto, o perfil de comorbidades do paciente dita a escolha. O paciente do caso apresenta Doença Renal Crônica estágio 4 (TFG 30 mL/min) e hipertensão, o que torna os AINEs perigosos e a colchicina de alto risco. A prednisona (ou outros corticoides como triancinolona intra-articular ou ACTH) surge como a alternativa mais segura e eficaz. A dose típica é de 30-35 mg/dia por 5 dias. Vale ressaltar que o uso de diuréticos tiazídicos (como a hidroclorotiazida que o paciente usa) é um fator de risco conhecido para hiperuricemia e crises de gota, devendo ser reavaliado no manejo crônico.
Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) inibem a síntese de prostaglandinas, que são essenciais para manter a vasodilatação da arteríola aferente renal. Em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), essa inibição pode levar a uma queda aguda da taxa de filtração glomerular, retenção de sódio e água, hipercalemia e progressão da lesão renal. Portanto, são contraindicados em pacientes com TFG < 30-60 mL/min.
A colchicina tem excreção renal significativa. Em pacientes com TFG reduzida, o fármaco se acumula, aumentando o risco de toxicidade grave, que inclui neuropatia, miopatia e supressão da medula óssea. Embora possa ser usada em doses muito reduzidas em DRC leve a moderada, ela é geralmente evitada ou usada com extrema cautela em pacientes com TFG < 30 mL/min, tornando o corticoide uma opção mais segura.
Tradicionalmente, recomenda-se não iniciar o alopurinol durante uma crise aguda, pois a queda brusca dos níveis de ácido úrico pode mobilizar cristais dos tecidos e prolongar ou piorar a inflamação articular. O alopurinol é uma terapia de manutenção (redutora de urato) e deve ser iniciado após a resolução da crise, sob cobertura profilática. Se o paciente já usava alopurinol antes da crise, ele deve ser mantido na mesma dose.
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