UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022
Leia o caso clínico a seguir.Benício, de 24 anos, afirma estar tendo intenso sofrimento por não conseguir ter controle sobre algumas imagens que lhe vêm à consciência a “quase todo momento”. Diz que vê, em seu pensamento, repetidas vezes, a imagem de sua esposa morta e ensaguentada no chão. Tal visualização o faz entrar em estado de “quase desespero” e vê a necessidade de imaginar uma cena agradável dos dois na praia para “anular” esse pensamento. Muitas vezes, acha que, se não fizer isso, sua esposa irá morrer antes de chegar em casa. Frequentemente, tem impulsos de agredir alguém com faca ou socos. Esses impulsos são vivenciados como sem contexto, inadequados, contra sua vontade ou seus princípios. No entanto, acontecem repetidas vezes, e ele acha que acontecerá uma catástrofe se não tentar isolar esse impulso repetindo a palavra ‘paz’ sete vezes. Tais sintomas se iniciaram de forma leve há cerca de sete anos e pioraram há um ano. No momento, o paciente apresenta-se altamente disfuncional e em intenso sofrimento. Os sintomas apresentados são característicos de:
Pensamentos intrusivos e repetitivos (obsessões) + comportamentos ou atos mentais para neutralizá-los (compulsões) = Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
O caso descreve claramente obsessões (pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e recorrentes, vivenciados como indesejados e que causam ansiedade) e compulsões (comportamentos repetitivos ou atos mentais que o indivíduo se sente compelido a realizar em resposta a uma obsessão, visando prevenir ou reduzir a ansiedade ou um evento temido).
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma condição psiquiátrica caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões que causam sofrimento significativo e prejuízo funcional. É um dos transtornos de ansiedade mais incapacitantes, com prevalência estimada em cerca de 1-3% da população geral. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. As obsessões são definidas como pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e persistentes que são vivenciados como intrusivos e indesejados, e que causam ansiedade ou sofrimento. O paciente tenta ignorar ou suprimir esses pensamentos, ou neutralizá-los com outros pensamentos ou ações. As compulsões, por sua vez, são comportamentos repetitivos (como lavar, verificar) ou atos mentais (como rezar, contar) que o indivíduo se sente compelido a realizar em resposta a uma obsessão, com o objetivo de prevenir ou reduzir a ansiedade ou evitar um evento temido. É fundamental diferenciar o TOC de outros transtornos, como a psicose, onde os delírios são crenças fixas e não intrusivas. O tratamento do TOC geralmente envolve uma combinação de terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente a exposição e prevenção de resposta, e farmacoterapia, com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) em doses mais altas do que as usadas para depressão.
As obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e persistentes que são vivenciados, em algum momento do curso do transtorno, como intrusivos e indesejados, e que, na maioria dos indivíduos, causam ansiedade ou sofrimento acentuados. O indivíduo tenta ignorá-los ou suprimi-los.
As compulsões são comportamentos repetitivos (ex: lavar as mãos, verificar) ou atos mentais (ex: rezar, contar, repetir palavras) que o indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas. Elas visam prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento, ou evitar algum evento ou situação temida.
Para o diagnóstico de TOC, as obsessões ou compulsões devem ser demoradas (tomar mais de 1 hora por dia) ou causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
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