CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2025
O fenômeno descrito a seguir acontece em decorrência de qual mecanismo fisiológico? "Em paciente com blefaroptose assimétrica (maior à direita), a elevação palpebral manual à direita leva ao relaxamento do músculo levantador da pálpebra superior, provocando o aumento da magnitude da blefaroptose à esquerda".
Lei de Hering = estímulo motor igual para músculos sinergistas (ex: levantadores das pálpebras).
Na ptose assimétrica, o esforço central para abrir a pálpebra mais afetada mascara a ptose contralateral; ao elevar a pior, o relaxamento revela a ptose real oposta.
A compreensão das leis da motilidade ocular é fundamental na oftalmologia e neurologia. Enquanto a Lei de Sherrington foca na inervação recíproca (quando um músculo contrai, seu antagonista relaxa), a Lei de Hering foca na coordenação binocular. Na semiologia da ptose, o reconhecimento do fenômeno de Hering evita resultados cirúrgicos insatisfatórios e ajuda a diferenciar ptoses puramente mecânicas de condições neuromusculares.
A Lei de Hering da inervação igual afirma que, durante os movimentos oculares ou palpebrais, impulsos nervosos de igual intensidade são enviados simultaneamente para os músculos sinergistas de ambos os olhos (músculos 'yoke' ou companheiros). No contexto da pálpebra, isso significa que o comando central para elevar as pálpebras é distribuído igualmente para ambos os músculos levantadores da pálpebra superior.
Em um paciente com ptose assimétrica, o cérebro envia um estímulo aumentado para o músculo levantador do olho mais afetado para tentar manter a fenda palpebral aberta. Devido à Lei de Hering, esse estímulo aumentado também chega ao olho contralateral (menos afetado), mantendo-o mais aberto do que estaria normalmente. Isso pode mascarar uma ptose bilateral, fazendo-a parecer unilateral.
Ao elevar manualmente a pálpebra com ptose mais grave, o estímulo neural excessivo cessa (relaxamento). Como resultado, a pálpebra contralateral, que estava sendo 'sustentada' pelo estímulo extra, cai para sua posição real. Esse fenômeno é crucial no planejamento cirúrgico de ptose, pois alerta o cirurgião de que a correção de apenas um lado pode resultar em ptose aparente no olho oposto no pós-operatório.
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