Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Com relação à legionelose, assinale a alternativa correta.
Pneumonia + Sintomas GI + Hiponatremia + Dissociação pulso-temperatura = Legionelose.
A pneumonia por Legionella deve ser suspeitada em quadros graves com manifestações extrapulmonares clássicas, como diarreia e hiponatremia por SIADH, além do sinal de Faget.
A Legionella pneumophila é um bacilo gram-negativo facultativo intracelular que habita ambientes aquáticos e sistemas de climatização. A transmissão ocorre pela inalação de aerossóis contaminados. Clinicamente, a infecção pode se manifestar como a Febre de Pontiac (autolimitada, tipo gripe) ou a Doença dos Legionários (pneumonia grave). A pneumonia por Legionella é classificada como 'atípica' porque os pacientes frequentemente apresentam sintomas extrapulmonares proeminentes. Fisiopatologicamente, a bactéria invade macrófagos alveolares, evadindo a fusão fagolisossômica. Isso gera uma resposta inflamatória intensa, explicando a gravidade do quadro radiológico e a frequência de falência multiorgânica. A dissociação pulso-temperatura e a hiponatremia são marcadores de gravidade e especificidade. O tratamento de escolha envolve antibióticos com boa penetração intracelular, como as fluoroquinolonas respiratórias ou macrolídeos modernos, sendo a combinação de vancomicina e meropenem (citada em alternativas incorretas) ineficaz contra este patógeno.
O sinal de Faget, também conhecido como dissociação pulso-temperatura, é um achado clínico clássico onde o paciente apresenta febre alta sem o aumento proporcional esperado da frequência cardíaca (ausência de taquicardia relativa). Embora seja tradicionalmente associado à febre amarela, é uma pista diagnóstica importante na legionelose e em outras infecções por patógenos intracelulares, como a febre tifoide e a psitacose. Na prática clínica, a presença de uma pneumonia grave com temperatura de 39-40°C e frequência cardíaca em torno de 80-90 bpm deve levantar imediatamente a suspeita de Legionella pneumophila, especialmente se acompanhada de sintomas sistêmicos.
A hiponatremia é a alteração eletrolítica mais característica da legionelose, ocorrendo com maior frequência e gravidade do que em outras pneumonias bacterianas. O mecanismo principal é a Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (SIADH), desencadeada pela inflamação pulmonar grave e pela resposta sistêmica ao patógeno. Além disso, perdas gastrointestinais (diarreia) e uma possível nefrite tubulointersticial direta pela bactéria podem contribuir para a depleção de sódio. A presença de sódio sérico < 130 mEq/L em um paciente com pneumonia comunitária é um preditor clínico forte para a etiologia por Legionella, auxiliando na escolha do esquema antibiótico empírico.
O diagnóstico de legionelose pode ser realizado por diversos métodos, sendo o teste de antígeno urinário o mais utilizado na prática de emergência devido à sua rapidez e alta especificidade para o sorogrupo 1 (responsável por 80% dos casos). No entanto, a cultura em meio específico (BCYE) continua sendo o padrão-ouro, permitindo a identificação de todos os sorogrupos, embora seja lenta. O PCR em amostras respiratórias (escarro ou lavado broncoalveolar) tem ganhado destaque pela alta sensibilidade e rapidez. Exames inespecíficos que corroboram a suspeita incluem elevação de transaminases, creatinofosfoquinase (CPK) e a já mencionada hiponatremia. O tratamento não deve ser retardado e baseia-se em macrolídeos (azitromicina) ou fluoroquinolonas (levofloxacino).
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