Larva Migrans Cutânea: Diagnóstico e Tratamento em Crianças

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mãe leva seus dois filhos, em idade pré-escolar, à consulta ambulatorial em uma unidade básica de saúde (UBS). Ela relata que, há cerca de 10 dias, levou as crianças a um passeio na região onde mora. Aproximadamente 1 semana após esse passeio, os dois apresentaram lesões eritematosas com aspecto serpiginoso e linear na pele. Um deles apresentou as lesões nos pés, enquanto o outro nas mãos. A mãe relata que o prurido intenso das lesões deixa as crianças bastante incomodadas. Nega lesões nos adultos. Ainda afirma que, como tinha uma pomada à base de dexametasona em casa, passou essa pomada nas lesões das crianças 3 vezes ao dia até conseguir leva-los à UBS. No entanto, não houve qualquer melhora do quadro.Considerando-se esse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico desse quadro e o tratamento adequado.

Alternativas

  1. A) Escabiose; uso de loção de permetrina a 5%.
  2. B) Pediculose corporis; uso de ivermectina.
  3. C) Dermatite atópica; uso de hidrocortisona tópica.
  4. D) Larva migrans; uso de tiabendazol creme tópico.

Pérola Clínica

Lesões serpiginosas, pruriginosas, após contato com solo → Larva migrans; tratar com tiabendazol tópico.

Resumo-Chave

A Larva migrans cutânea, ou bicho geográfico, manifesta-se por lesões eritematosas, serpiginosas e pruriginosas, geralmente nos pés e mãos, após contato com solo contaminado. O tratamento de escolha é o tiabendazol creme tópico, sendo ineficaz o uso de corticoides isolados.

Contexto Educacional

A Larva migrans cutânea, popularmente conhecida como 'bicho geográfico', é uma dermatose parasitária comum em regiões tropicais e subtropicais, causada por larvas de nematódeos intestinais de cães e gatos (principalmente Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum). A infecção ocorre pelo contato da pele com solo ou areia contaminados com fezes de animais infectados, onde as larvas penetram na epiderme humana, mas não conseguem completar seu ciclo de vida, migrando sob a pele. Clinicamente, a doença se manifesta por lesões eritematosas, elevadas, lineares ou serpiginosas, que progridem alguns milímetros a centímetros por dia, acompanhadas de prurido intenso, especialmente à noite. As áreas mais afetadas são os pés, mãos, nádegas e coxas. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de exposição e nas características das lesões. O diagnóstico diferencial inclui dermatite de contato, escabiose e picadas de insetos. O tratamento visa eliminar as larvas e aliviar os sintomas. O tiabendazol tópico é a primeira escolha, com boa eficácia e poucos efeitos colaterais. Para casos mais extensos ou refratários, medicamentos orais como albendazol ou ivermectina podem ser utilizados. É importante orientar sobre a prevenção, como evitar andar descalço em locais com presença de fezes de animais e cobrir caixas de areia. O uso de corticoides tópicos isolados é ineficaz e pode mascarar o quadro, atrasando o tratamento específico.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da Larva migrans cutânea?

A Larva migrans cutânea é caracterizada por lesões eritematosas, lineares ou serpiginosas (em forma de 'cobra'), que se movem lentamente na pele. São extremamente pruriginosas e geralmente aparecem em áreas de contato com solo contaminado, como pés, mãos e nádegas.

Qual o tratamento de primeira linha para Larva migrans cutânea?

O tratamento de primeira linha é o tiabendazol creme tópico a 5% ou 10%, aplicado 2 a 3 vezes ao dia por 5 a 10 dias. Em casos de lesões múltiplas ou extensas, pode-se considerar o uso de albendazol ou ivermectina oral.

Por que o corticoide tópico não é eficaz para Larva migrans?

O corticoide tópico, como a dexametasona, não é eficaz porque não atua contra o parasita (Ancylostoma braziliense ou caninum). Ele pode aliviar temporariamente o prurido e a inflamação, mas não elimina a larva, permitindo que a doença progrida e o prurido retorne após a interrupção do uso.

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