Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Os pais de um menino, com 3 anos de idade, estão preocupados pois voltaram da praia, onde ficaram durante 2 semanas, e observaram uma alergia na lateral do pé, que está aumentando. Referem que procuraram na internet e viram que pode ser um verme, estão preocupados com os riscos de comprometer o fígado ou os pulmões da criança. O médico confirma tratar-se de Larva migrans cutânea e deve orientar que:
Larva migrans cutânea: lesão restrita à pele, tratamento oral efetivo e sem complicações sistêmicas.
A Larva migrans cutânea, ou bicho geográfico, é uma parasitose causada por larvas de helmintos de cães e gatos que penetram na pele humana. Diferente de outras parasitoses, essas larvas não conseguem completar seu ciclo no hospedeiro humano, permanecendo restritas à epiderme e causando apenas lesões cutâneas localizadas, sem comprometimento visceral.
A Larva migrans cutânea, popularmente conhecida como 'bicho geográfico', é uma dermatose parasitária comum em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em praias e locais com solo contaminado por fezes de cães e gatos. É causada principalmente pelas larvas de Ancylostoma braziliense e Ancylostoma caninum, que penetram ativamente na pele humana. A prevalência é alta em crianças e indivíduos que frequentam ambientes de risco, sendo uma queixa comum na atenção primária e dermatologia. É crucial para o residente reconhecer essa condição devido à sua alta incidência e ao impacto no bem-estar do paciente. Do ponto de vista fisiopatológico, as larvas de ancilostomídeos de animais, ao contrário das de humanos, não possuem as enzimas necessárias para atravessar a membrana basal da epiderme humana. Assim, elas migram de forma errática e linear na camada superficial da pele, causando o trajeto serpiginoso característico. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de exposição e na morfologia da lesão. É importante diferenciar de outras dermatoses pruriginosas e tranquilizar o paciente quanto à benignidade e ausência de comprometimento sistêmico. O tratamento é simples e altamente eficaz, geralmente com uma dose única ou um curso curto de albendazol ou ivermectina por via oral. A cura é esperada sem complicações, e a melhora do prurido e da lesão é rápida. A orientação sobre medidas preventivas, como evitar andar descalço em locais contaminados e o controle de parasitas em animais domésticos, é fundamental para prevenir novas infecções e educar a comunidade.
A Larva migrans cutânea se manifesta como uma lesão linear, eritematosa e pruriginosa, que avança diariamente (trajeto serpiginoso). Geralmente ocorre em áreas expostas ao solo contaminado, como pés, pernas e nádegas.
O tratamento da Larva migrans cutânea é feito com medicamentos antiparasitários orais, como o albendazol ou a ivermectina, por um curto período. O tratamento tópico com tiabendazol também pode ser utilizado, mas a via oral é geralmente mais eficaz e conveniente.
Não, a Larva migrans cutânea é uma infecção autolimitada à pele no hospedeiro humano. As larvas não conseguem penetrar a membrana basal e, portanto, não atingem a circulação para migrar para órgãos internos como fígado ou pulmões, ao contrário da Larva migrans visceral.
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