HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Uma menina de quatro anos de idade, que mora na área rural, foi levada à consulta com o médico de família, por apresentar dor abdominal, tosse expectorativa e falta de ar há cerca de uma semana. Ao exame físico, o médico observou lesão cutânea serpiginosa eritematocrostosa no pé direito, em fase de cicatrização. A mãe informou que a lesão aparecera há, aproximadamente, quinze dias e era muito pruriginosa. O médico perguntou sobre os hábitos da paciente e sobre o ambiente e a mãe informou que a criança tinha o costume de brincar descalça ao ar livre e que a moradia carecia de instalação sanitária. O hemograma solicitado demonstrou eosinófilos de 18%.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.O hábito de andar descalça é um dos fatores de risco mais importantes para a contaminação.
Lesão serpiginosa + tosse/dispneia + eosinofilia = Ciclo de Loss (Síndrome de Loeffler).
O hábito de andar descalço facilita a penetração percutânea de larvas de helmintos, que podem migrar para os pulmões (Ciclo de Loss) causando sintomas respiratórios e eosinofilia.
A correlação entre lesões cutâneas serpiginosas e sintomas respiratórios em áreas rurais deve sempre levantar a suspeita de helmintíases que realizam o Ciclo de Loss. A penetração percutânea de larvas de Ancylostoma ou Necator leva à migração sistêmica, onde as larvas atingem a circulação venosa, chegam aos pulmões, rompem os capilares alveolares e ascendem pela árvore brônquica para serem deglutidas e completarem o ciclo no intestino delgado. A eosinofilia é um marcador laboratorial clássico dessa resposta imune tipo Th2 contra parasitas multicelulares. O manejo envolve o uso de anti-helmínticos sistêmicos, como o albendazol ou ivermectina, além de medidas de educação em saúde.
A Síndrome de Loeffler é uma forma de eosinofilia pulmonar causada pela migração transpulmonar de larvas de helmintos (Ciclo de Loss), como Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale e Necator americanus. Clinicamente, manifesta-se com tosse seca, dispneia, sibilância e infiltrados pulmonares migratórios ao raio-X, acompanhados de eosinofilia periférica significativa. É uma condição autolimitada, mas indica infecção parasitária ativa.
A Larva Migrans Cutânea, ou 'bicho geográfico', é causada principalmente por larvas de Ancylostoma braziliense e A. caninum, parasitas intestinais de cães e gatos. As larvas presentes no solo (areia úmida) penetram ativamente na pele humana íntegra. Como o ser humano é um hospedeiro acidental, as larvas não conseguem completar seu ciclo e vagam pela derme, criando túneis serpiginosos e intensamente pruriginosos.
Andar descalço em solos contaminados com fezes humanas ou animais é o principal fator de risco para a penetração percutânea de larvas de ancilostomídeos e Strongyloides stercoralis. Em áreas com saneamento básico precário, essa via de infecção é extremamente comum. A prevenção baseia-se no uso de calçados, tratamento das fontes de infecção (humanos e animais) e melhoria das condições sanitárias.
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