Laringotraqueobronquite Viral: Diagnóstico e Conduta

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2018

Enunciado

A obstrução infecciosa de vias aéreas superiores caracteriza-se clinicamente por estridor respiratório e o estridor pode ser auscultado em qualquer fase da respiração. À abordagem terapêutica está baseada na avaliação clínica e os exames subsidiários têm pouca importância e não devem retardar o tratamento. Na obstrução infecciosa das vias aéreas superiores é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A síndrome do crupe é caracterizada por rouquidão, tosse ladrante, estridor predominantemente expiratório e graus variados de desconforto respiratório.
  2. B) O crupe é causado principalmente pelo Haemophilus influenzae do tipo b (Hib) e acomete principalmente crianças com mais de 5 anos de idade.
  3. C) Laringotraqueobronquite é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas superiores em crianças, respondendo por 90% dos casos de estridor.
  4. D) A Supraglotite é uma infecção grave da epiglote e estruturas supraglóticas causada pelos adenovirus, com resultante obstrução da via aérea superior, de letalidade elevada.

Pérola Clínica

Laringotraqueobronquite = Causa + comum de estridor (90%) → Tosse ladrante + Estridor inspiratório.

Resumo-Chave

A laringotraqueobronquite viral (crupe) é a principal causa de obstrução alta em crianças, apresentando-se tipicamente com estridor inspiratório e tosse metálica.

Contexto Educacional

As obstruções de vias aéreas superiores (OVAS) em pediatria são desafios clínicos frequentes. A laringotraqueobronquite viral, causada principalmente pelos vírus parainfluenza (tipos 1, 2 e 3), responde pela vasta maioria dos casos de estridor na infância. A fisiopatologia envolve inflamação e edema da mucosa da laringe e traqueia, particularmente na região subglótica, que é a parte mais estreita da via aérea infantil. O manejo baseia-se na gravidade: casos leves podem ser observados, enquanto casos moderados a graves exigem o uso de corticosteroides (como dexametasona) e, se houver estridor em repouso, nebulização com adrenalina para vasoconstrição local e redução rápida do edema. É crucial manter a criança calma, pois a agitação aumenta a turbulência do fluxo aéreo e piora a obstrução. O diagnóstico diferencial inclui crupe espasmódico, aspiração de corpo estranho e a temida epiglotite aguda.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clínica clássica do crupe viral?

O crupe viral, ou laringotraqueobronquite, manifesta-se classicamente pela tríade de rouquidão, tosse ladrante (semelhante a um latido de cão) e estridor inspiratório. Esses sintomas resultam do edema da região subglótica da laringe. Frequentemente, o quadro é precedido por pródromos catarrais leves e febre baixa, com piora dos sintomas respiratórios durante a noite ou quando a criança está agitada.

Como diferenciar crupe de epiglotite aguda?

A epiglotite (supraglotite) é uma emergência médica grave, geralmente causada por bactérias (como o Hib em não vacinados). Diferente do crupe, a epiglotite tem início súbito, febre alta, aparência tóxica, ausência de tosse ladrante e presença de disfagia, sialorreia (baba) e posição de tripé. Enquanto o crupe é subglótico e mais comum, a epiglotite é supraglótica e potencialmente fatal por obstrução total rápida.

Qual o papel dos exames de imagem no estridor agudo?

O diagnóstico das obstruções infecciosas de vias aéreas superiores é eminentemente clínico. Exames de imagem, como o raio-x de pescoço (que pode mostrar o 'sinal da torre' no crupe ou o 'sinal do polegar' na epiglotite), não devem retardar o tratamento, especialmente em casos de desconforto moderado a grave. A manipulação excessiva da criança para exames pode precipitar a obstrução total da via aérea em casos de epiglotite.

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