Crupe Viral: Diagnóstico e Manejo da Laringotraqueobronquite

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 18 meses é levado ao pronto-atendimento pelos pais devido ao início súbito de uma tosse descrita como "latido de cachorro" e rouquidão, iniciadas há cerca de 4 horas durante a madrugada. Os pais relatam que a criança apresentou coriza leve e febre baixa no dia anterior. Ao exame físico, o paciente encontra-se em bom estado geral, ativo e corado. Apresenta estridor inspiratório apenas quando chora ou fica agitado, desaparecendo quando está calmo no colo da mãe. Não há tiragens ou batimento de asa de nariz. Os sinais vitais obtidos na admissão são apresentados na tabela abaixo: | Parâmetro | Valor Encontrado | Referência para a Idade | | :--- | :---: | :---: | | Frequência Respiratória | 34 irpm | 24-40 irpm | | Frequência Cardíaca | 118 bpm | 80-130 bpm | | Saturação de O2 | 98% (Ar ambiente) | >94% | | Temperatura Axilar | 38,1 °C | <37,3 °C | Com base no quadro clínico e na classificação de gravidade, a conduta inicial mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Realizar nebulização com adrenalina racêmica e observar por 4 horas.
  2. B) Solicitar radiografia de cervical (perfil e anteroposterior) para confirmar o diagnóstico.
  3. C) Prescrever amoxicilina por 7 dias devido ao quadro de febre e tosse.
  4. D) Administrar dexametasona por via oral em dose única e dar alta com orientações.

Pérola Clínica

Crupe leve (estridor apenas na agitação) → Dexametasona VO dose única + Alta com orientações.

Resumo-Chave

O crupe viral é autolimitado; a gravidade é definida pelo estridor em repouso e sinais de desconforto. Casos leves exigem apenas corticoide sistêmico para reduzir edema subglótico.

Contexto Educacional

A laringotraqueobronquite viral, ou crupe, é a causa mais comum de obstrução aguda das vias aéreas superiores em crianças de 6 meses a 3 anos, sendo o vírus Parainfluenza o principal agente. A fisiopatologia envolve edema da região subglótica, resultando na tríade clássica de tosse latida, rouquidão e estridor inspiratório. A classificação de gravidade, frequentemente baseada no Escore de Westley, é fundamental para decidir a intervenção: casos leves (sem estridor em repouso) recebem apenas corticoide, enquanto casos moderados a graves exigem nebulização com adrenalina e observação hospitalar mínima de 3 a 4 horas para monitorar o efeito rebote.

Perguntas Frequentes

Quando usar adrenalina no crupe?

A nebulização com adrenalina está indicada apenas em casos moderados a graves, caracterizados por estridor em repouso, retrações de parede torácica ou sinais de desconforto respiratório. Ela promove vasoconstrição local e redução rápida do edema subglótico, mas seu efeito é transitório (cerca de 2 horas), exigindo observação hospitalar após o uso.

Qual a dose de dexametasona recomendada?

A dose padrão de dexametasona é de 0,15 mg/kg a 0,6 mg/kg, administrada em dose única. A via oral é preferível por ser menos invasiva e apresentar eficácia comparável à via intramuscular em casos de crupe leve a moderado.

A radiografia de cervical é necessária?

Não. O diagnóstico do crupe é eminentemente clínico. A radiografia pode mostrar o 'sinal da torre' (estreitamento subglótico), mas possui baixa sensibilidade e deve ser reservada apenas para casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de corpo estranho.

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