Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Lactente, sexo masculino, com 18 meses de idade é trazido ao pronto-socorro com história de 2 dias de coriza e febre baixa. Na madrugada, evoluiu subitamente com tosse "de cachorro", rouquidão e estridor inspiratório. Ao exame físico, apresenta estridor audível em repouso, tiragem subcostal leve e está ativo e responsivo, sem cianose. A oximetria revela saturação de 94% e a temperatura axilar é de 38.5°C. Considerando a apresentação clínica, qual é a conduta inicial mais apropriada para o manejo desse lactente?
Estridor em repouso → Nebulização com Adrenalina + Dexametasona sistêmica.
O crupe viral com estridor em repouso é classificado como moderado/grave, exigindo adrenalina para redução imediata do edema subglótico e corticoide para efeito prolongado.
A laringotraqueobronquite aguda, ou crupe viral, é a causa mais comum de obstrução das vias aéreas superiores em crianças entre 6 meses e 3 anos. A fisiopatologia envolve a inflamação e o edema da região subglótica, geralmente desencadeados pelo vírus Parainfluenza. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado pela tríade de tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório. O manejo é guiado pela gravidade: casos leves (sem estridor em repouso) recebem apenas corticoide; casos moderados a graves (estridor em repouso, tiragens) exigem nebulização com adrenalina para vasoconstrição local rápida e redução do edema. A oximetria de pulso pode ser normal mesmo em obstruções significativas, portanto, a decisão clínica deve basear-se no esforço respiratório e na presença de estridor.
A dose padrão é de 0,6 mg/kg, administrada em dose única, podendo ser por via oral, intramuscular ou intravenosa, dependendo da aceitação e gravidade do paciente. Estudos mostram que doses menores (0,15 mg/kg) também podem ser eficazes em casos leves, mas 0,6 mg/kg continua sendo a referência para casos moderados a graves com estridor em repouso.
O paciente deve permanecer em observação por pelo menos 2 a 4 horas. Esse período é necessário devido ao risco do 'efeito rebote', onde o edema subglótico retorna após o término do efeito vasoconstritor da adrenalina (que dura cerca de 2 horas), podendo levar à recorrência da obstrução respiratória.
Os principais diferenciais incluem a epiglotite aguda (quadro mais tóxico, sialorreia, ausência de tosse ladrante), traqueíte bacteriana (febre alta, secreção purulenta, má resposta à adrenalina), corpo estranho (início súbito sem pródromos virais) e abscesso retrofaríngeo.
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