Crupe Viral (Laringotraqueíte): Diagnóstico e Tratamento

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Lactente com 1 ano e 7 meses apresenta tosse seca há 7 dias, febre (38,5°C) e coriza, tendo evoluído, há 24 horas, com tosse descrita pela mãe como "tosse de cachorro” e dispneia. Desde o segundo dia de início da tosse, não apresenta mais febre. Ao exame físico, foi percebida frequência respiratória de 58 irpm e murmúrio vesicular universalmente audível, com estridor inspiratório leve que piora com o choro. Com base na hipótese diagnóstica principal, a conduta é:

Alternativas

  1. A) Por se tratar de um quadro leve, prescrever corticoide oral para tratamento domiciliar.
  2. B) Por se tratar de um quadro leve, prescrever dexametasona intramuscular e dar alta da unidade de emergência.
  3. C) Por se tratar de um quadro moderado, prescrever nebulização com adrenalina, administrar dexametasona e manter em observação.
  4. D) Por se tratar de um quadro grave, solicitar vaga em UTI e prescrever dexametasona em alta dose e nebulização com adrenalina.

Pérola Clínica

Crupe viral leve (sem estridor em repouso ou retrações) → tratamento com corticoide oral (dexametasona) e manejo domiciliar.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse ladrante ('de cachorro') e estridor inspiratório que piora ao choro, sem estridor em repouso, caracteriza laringotraqueíte viral (crupe) leve. A conduta padrão é uma dose única de corticoide oral (dexametasona) para reduzir o edema da via aérea, com alta para tratamento domiciliar.

Contexto Educacional

A laringotraqueíte aguda viral, ou crupe, é a causa mais comum de obstrução de via aérea superior em crianças de 6 meses a 3 anos, sendo o vírus parainfluenza o principal agente etiológico. A infecção causa inflamação e edema na região da laringe e traqueia, principalmente na área subglótica, resultando nos sintomas característicos. O quadro clínico clássico inclui pródromos de infecção de via aérea superior (coriza, febre baixa) seguidos pelo início súbito de tosse ladrante (comparada a um latido de cachorro), rouquidão e estridor inspiratório. A gravidade é avaliada clinicamente, utilizando escores como o de Westley, que considera o nível de consciência, cianose, estridor, entrada de ar e retrações. Casos leves, como o da questão, apresentam estridor apenas com agitação ou choro, sem desconforto respiratório em repouso. O manejo do crupe é estratificado pela gravidade. Para casos leves, o pilar do tratamento é uma dose única de corticoide (dexametasona oral ou intramuscular) para reduzir a inflamação e o edema, com alta para manejo domiciliar. A nebulização com adrenalina racêmica ou L-adrenalina é reservada para casos moderados a graves (estridor em repouso, retrações), pois promove vasoconstrição rápida da mucosa laríngea, aliviando a obstrução agudamente, mas requer observação hospitalar devido ao risco de efeito rebote.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na laringotraqueíte viral?

Sinais de gravidade incluem estridor em repouso, retrações torácicas (tiragem subcostal, intercostal), batimento de asa de nariz, cianose, agitação ou sonolência. Esses sinais indicam obstrução significativa da via aérea e risco de insuficiência respiratória.

Por que o corticoide é o pilar do tratamento do crupe?

O corticoide, como a dexametasona, tem potente ação anti-inflamatória que reduz o edema na região subglótica da laringe, que é a área mais estreita da via aérea na criança. Isso alivia a obstrução, e seu efeito, que começa em poucas horas, é duradouro.

Como diferenciar crupe viral de epiglotite aguda?

A epiglotite é bacteriana, de início súbito e grave, com febre alta, toxemia, disfagia intensa, sialorreia e posição de 'tripé'. O crupe é viral, de início gradual após pródromos catarrais, com febre baixa, tosse ladrante proeminente e ausência de disfagia grave.

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