Laringotraqueíte Viral (Crupe): Diagnóstico e Etiologia em Crianças

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Menina, 3 anos, iniciou, há 4 dias, febre baixa, tosse e rinorreia. Há 24 horas, houve piora da tosse, que assumiu característica “ladrante”, associada a rouquidão e estridor inspiratório. Exame físico: febril (Tax = 37,8ºC); FR = 34irpm; FC = 100bpm; PAS = 80x50mmHg; SpO₂ = 98% em ar ambiente; orofaringe com hiperemia e petéquias em palato mole, sem exsudato; mucosa nasal com hiperemia. Otoscopia, ausculta respiratória e cardíaca normais. Pode-se afirmar que a hipótese diagnóstica e o agente etiológico mais prováveis, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) laringotraqueíte / vírus parainfluenza tipos 1, 2 e 3.
  2. B) epiglotite / Haemophilus influenza.
  3. C) laringotraqueobronquite / Streptococcus pneumoniae.
  4. D) crupe espasmódico / reação alérgica a antígenos virais.

Pérola Clínica

Tosse ladrante + rouquidão + estridor inspiratório em criança = Laringotraqueíte viral (Crupe), geralmente por Parainfluenza.

Resumo-Chave

A laringotraqueíte viral, ou crupe, é uma infecção comum das vias aéreas superiores em crianças, caracterizada pela tríade clássica de tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório. O vírus parainfluenza é o agente etiológico mais frequente.

Contexto Educacional

A laringotraqueíte viral, comumente conhecida como crupe, é uma infecção aguda das vias aéreas superiores que afeta predominantemente crianças entre 6 meses e 3 anos de idade, sendo mais comum no outono e inverno. É caracterizada pela inflamação e edema da laringe, traqueia e brônquios, levando à obstrução das vias aéreas. A compreensão de sua fisiopatologia e apresentação clínica é crucial para o diagnóstico e manejo adequados, evitando complicações e ansiedade parental. A fisiopatologia envolve a infecção viral que causa inflamação da mucosa subglótica, resultando em edema e estreitamento da via aérea. Os sintomas clássicos incluem tosse ladrante (semelhante ao latido de uma foca), rouquidão e estridor inspiratório, que é um som agudo durante a inspiração, indicando obstrução da via aérea superior. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. O agente etiológico mais comum é o vírus parainfluenza (tipos 1, 2 e 3), mas outros vírus respiratórios também podem estar envolvidos. O tratamento da laringotraqueíte viral é principalmente de suporte, com foco em aliviar a obstrução das vias aéreas. Corticosteroides (dexametasona oral) são a pedra angular do tratamento para reduzir o edema. Em casos de estridor moderado a grave, a epinefrina nebulizada pode ser utilizada para uma melhora rápida e temporária. É importante diferenciar o crupe de outras causas de estridor, como epiglotite bacteriana, que é uma emergência médica e requer manejo distinto. O prognóstico é geralmente excelente, com a maioria das crianças se recuperando completamente em poucos dias.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da laringotraqueíte viral (crupe)?

Os sintomas clássicos da laringotraqueíte viral incluem tosse 'ladrante' ou 'de cachorro', rouquidão e estridor inspiratório. Geralmente, é precedida por sintomas de resfriado comum, como febre baixa e rinorreia, e os sintomas respiratórios tendem a piorar à noite.

Qual o agente etiológico mais comum da laringotraqueíte viral?

O agente etiológico mais comum da laringotraqueíte viral são os vírus parainfluenza, especialmente os tipos 1, 2 e 3. Outros vírus, como o vírus sincicial respiratório (VSR), adenovírus e influenza, também podem causar crupe.

Como diferenciar laringotraqueíte de epiglotite em crianças?

A laringotraqueíte (crupe) geralmente tem início gradual, com tosse ladrante e rouquidão, e a criança não parece gravemente doente. A epiglotite, por outro lado, tem início súbito, febre alta, disfagia intensa, sialorreia, voz abafada e a criança parece tóxica, preferindo sentar-se inclinada para frente (posição de tripé), sem tosse ladrante.

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