UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018
Lactente, feminino, 30 dias, apresenta estridor inspiratório há aproximadamente 20 dias. O estridor tem se tornado cada vez mais frequente e mais audível e piora quando ao choro e/ou agitação. Não apresenta tosse, febre, coriza, vômito ou diarreia. Exame físico: estridor inspiratório de baixa intensidade; tiragem de fúrcula; FR = 52 irpm; SatO₂ = 97%; FC = 136 bpm. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Estridor inspiratório que ↑ choro/decúbito dorsal + início nas primeiras semanas = Laringomalácia.
A laringomalácia é a causa mais comum de estridor congênito, resultante do colapso das estruturas supraglóticas durante a inspiração.
A laringomalácia representa a anomalia congênita mais frequente da laringe. Fisiopatologicamente, ocorre devido a uma imaturidade neuromuscular ou fraqueza cartilaginosa que permite o colapso da supraglote para a via aérea durante a pressão negativa da inspiração. É fundamental diferenciar o estridor inspiratório (vias aéreas superiores) do sibilo expiratório (vias aéreas inferiores). O manejo clínico foca na observação, mas o médico deve estar atento a sinais de gravidade, como retrações intercostais persistentes e dificuldade de alimentação, que podem indicar a necessidade de intervenção especializada.
O estridor da laringomalácia é tipicamente inspiratório, de tonalidade aguda ou musical, e costuma surgir nas primeiras duas a quatro semanas de vida. Uma característica marcante é a sua variabilidade: ele tende a piorar quando o lactante está em decúbito dorsal (barriga para cima), durante o choro, agitação ou amamentação, e melhora quando a criança está calma ou em decúbito ventral. Na maioria dos casos, não há sinais de desconforto respiratório grave ou comprometimento do crescimento.
Embora a história clínica e o exame físico sejam altamente sugestivos, o padrão-ouro para o diagnóstico é a nasofibrolaringoscopia flexível realizada com o paciente acordado. O exame permite a visualização direta do colapso das estruturas supraglóticas durante a inspiração, como a epiglote em formato de 'ômega', pregas ariepiglóticas curtas ou prolapso das aritenoides para o interior da glote.
A grande maioria dos casos (cerca de 90%) é leve a moderada e tem resolução espontânea até os 18-24 meses de vida, exigindo apenas acompanhamento clínico e orientações posturais. O tratamento cirúrgico, conhecido como supraglotoplastia, é reservado para casos graves que apresentam cor pulmonale, apneia obstrutiva do sono, disfagia importante ou falha no ganho ponderal (failure to thrive).
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