Laringite Viral (Crupe): Critérios de Alta Pediátrica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Uma lactente de dez meses apresenta quadro de rinorreia, tosse e febre baixa há três dias. A partir daí, surgiu estridor acompanhado de rouquidão e a tosse modificou sua característica, tornando-se rouca. Ao exame físico, nota-se batimento das asas do nariz, retração supraesternal, intercostal e subcostal com FR = 58ipm e ausculta pulmonar com o murmúrio vesicular universalmente diminuído; não há cianose, palidez ou rebaixamento do nível de consciência; FC = 112bpm com um ritmo cardíaco regular; e SatO² = 97%. O estridor piora com o choro e a irritabilidade, porém não desaparece com o repouso. Depois de medicada com adrenalina em duas nebulizações, com intervalo de 20 minutos entre elas, e dexametasona, observa-se melhora no quadro respiratório. As condições recomendadas para a liberação para tratamento domiciliar são, após duas horas de observação hospitalar, estar:

Alternativas

  1. A) Com entrada de ar, saturação de oxigênio e nível de consciência normais e ter recebido corticoide.
  2. B) Sem estridor em repouso, com entrada de ar, saturação de oxigênio e nível de consciência normais.
  3. C) Sem estridor em repouso, como entrada de ar e nível de consciência normais e ter recebido corticoide.
  4. D) Sem estridor em repouso, com entrada de ar, saturação de oxigênio e nível de consciência normais e ter recebido corticoide.

Pérola Clínica

Alta de crupe: sem estridor em repouso + boa entrada de ar + SatO2 normal + consciência normal + corticoide administrado.

Resumo-Chave

Após o tratamento de laringite viral (crupe) com adrenalina e corticoide, a criança pode receber alta se estiver sem estridor em repouso, com boa ventilação, saturação de oxigênio adequada e nível de consciência normal, garantindo a estabilidade clínica.

Contexto Educacional

A laringite viral, popularmente conhecida como crupe, é uma causa comum de obstrução de vias aéreas superiores em crianças pequenas, geralmente entre 6 meses e 3 anos de idade. É caracterizada por tosse "de cachorro", rouquidão e estridor inspiratório, que piora com a agitação. A etiologia mais comum é o vírus parainfluenza. A avaliação da gravidade é crucial para determinar a conduta, observando o nível de estridor, o esforço respiratório e o nível de consciência. O tratamento da laringite viral visa reduzir o edema da laringe. A adrenalina nebulizada é utilizada para casos moderados a graves, promovendo vasoconstrição e alívio rápido do estridor, embora com efeito transitório. Os corticosteroides, como a dexametasona, são a base do tratamento, pois proporcionam um efeito anti-inflamatório mais duradouro, prevenindo a recorrência dos sintomas. A administração precoce de corticoide é recomendada para todos os casos, exceto os muito leves. Os critérios para alta hospitalar após o tratamento são rigorosos para garantir a segurança do paciente. Uma criança pode ser liberada para tratamento domiciliar após um período de observação (geralmente 2-4 horas) se estiver sem estridor em repouso, apresentando boa entrada de ar bilateralmente, saturação de oxigênio normal em ar ambiente, nível de consciência adequado e se já tiver recebido a dose de corticoide. É fundamental orientar os pais sobre os sinais de piora e a necessidade de retorno ao pronto-socorro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para laringite viral grave em crianças?

Sinais de alerta incluem estridor em repouso, desconforto respiratório significativo (tiragens), cianose, letargia ou agitação, e falha na resposta ao tratamento inicial, indicando necessidade de intervenção imediata.

Qual o papel da adrenalina nebulizada no tratamento da laringite viral?

A adrenalina nebulizada causa vasoconstrição na mucosa laríngea, reduzindo o edema e aliviando o estridor rapidamente, mas seu efeito é temporário, durando cerca de 2 horas, necessitando de observação.

Por que é importante administrar corticoide na laringite viral?

O corticoide (dexametasona oral ou intramuscular) tem efeito anti-inflamatório prolongado, reduzindo o edema da via aérea e prevenindo a recorrência do estridor após o efeito transitório da adrenalina.

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