Crupe Grave em Crianças: Manejo na Emergência Pediátrica

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos de idade, é levado ao serviço de emergência por quadro de tosse e cansaço iniciados hoje, com piora progressiva. Refere também coriza e febre de até 38°C. Sem outras queixas. Trata-se de criança previamente hígida, sem internações ou cirurgias prévias. Ao exame clínico, criança em regular estado geral, agitado, ausculta pulmonar reduzida globalmente, com estridor inspiratório audível sem estetoscópio, com presença de tiragem de fúrcula intensa. Frequência respiratória de 50 irpm, saturação de 90% em ar ambiente, frequência cardíaca de 146 bpm. Restante do exame clínico sem alterações significativas. A conduta indicada neste momento é:

Alternativas

  1. A) Ofertar oxigênio em cateter nasal, administrar prednisolona oral e ciclo de inalações com salbutamol e ipatrópio (3 vezes).
  2. B) Administrar analgesia, sedação e bloqueador neuromuscular para proceder a intubação orotraqueal (sequência rápida de intubação).
  3. C) Ofertar oxigênio com máscara de venturi 50%, administrar soro fisiológico 20 ml/kg e iniciar ceftriaxone parenteral.
  4. D) Realizar inalação com epinefrina e oxigênio em máscara não reinalante, administrar dexametasona parenteral.
  5. E) Encaminhamento imediato para serviço de emergência com broncoscopia para a retirada do corpo estranho.

Pérola Clínica

Crupe grave (estridor em repouso, tiragem intensa, Sat <92%) → O2 + Epinefrina inalatória + Dexametasona parenteral.

Resumo-Chave

O quadro clínico de estridor inspiratório audível sem estetoscópio, tiragem intensa e hipoxemia em pré-escolar é altamente sugestivo de laringite viral aguda (crupe) grave. A conduta inicial visa reduzir o edema da via aérea superior e melhorar a oxigenação, sendo a epinefrina inalatória e a dexametasona essenciais.

Contexto Educacional

A laringite viral aguda, conhecida como crupe, é uma das causas mais comuns de obstrução de via aérea superior em crianças, geralmente causada por vírus parainfluenza. Caracteriza-se por tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório. A avaliação da gravidade é crucial para guiar a conduta, com sinais como estridor em repouso e hipoxemia indicando um quadro grave que necessita de intervenção imediata. A fisiopatologia envolve inflamação e edema da região subglótica da laringe, levando à diminuição do lúmen da via aérea. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico. É importante diferenciar de outras causas de estridor, como corpo estranho ou epiglotite, que apresentam quadros clínicos distintos e requerem abordagens diferentes. A agitação da criança pode ser um sinal de hipoxemia e deve ser valorizada. O tratamento do crupe grave inclui oxigenoterapia para manter a saturação >92%, epinefrina inalatória para rápida redução do edema e dexametasona (oral ou parenteral) para um efeito anti-inflamatório mais prolongado. A observação após a epinefrina é fundamental devido ao risco de efeito rebote. Em casos refratários ou com exaustão, a intubação orotraqueal pode ser necessária, mas é rara.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade da laringite viral aguda (crupe)?

Os sinais de gravidade incluem estridor em repouso, tiragem subcostal, intercostal e de fúrcula intensas, agitação, letargia e hipoxemia (saturação de oxigênio < 92% em ar ambiente).

Por que a epinefrina inalatória é indicada no tratamento do crupe grave?

A epinefrina inalatória atua como um agonista alfa-adrenérgico, causando vasoconstrição na mucosa da laringe e traqueia, o que reduz o edema subglótico e melhora o estridor e o desconforto respiratório.

Qual o papel dos corticosteroides no manejo do crupe?

Os corticosteroides, como a dexametasona, são anti-inflamatórios potentes que reduzem o edema da via aérea superior. Devem ser administrados precocemente, preferencialmente por via oral ou parenteral, para um efeito duradouro.

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