HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022
Homem, 36 anos, dá entrada em unidade de pronto-socorro por ferimento de arma de fogo, sendo orifício de entrada em 8º espaço intercostal esquerdo na parte anterior e orifício de saída em linha quase reta na parte posterior. Sinais vitais: FR = 14 irpm; Sat. O2 : 90 %; PA = 85 x 65 mmHg; P = 120 bpm; Perf. > 2 seg. FAST: coleção líquida em grande quantidade no espaço de Traube. Após medidas iniciais da avaliação primária, o paciente permanece em choque hipovolêmico. A conduta mais indicada neste momento do atendimento, para diagnosticar e coibir a causa da instabilidade hemodinâmica, é:
FAF toracoabdominal + Choque hipovolêmico + FAST positivo → Laparotomia exploradora imediata.
Em um paciente com ferimento por arma de fogo toracoabdominal, instabilidade hemodinâmica persistente após medidas iniciais e FAST positivo (indicando sangramento intra-abdominal), a laparotomia exploradora é a conduta mais indicada. Ela permite o diagnóstico definitivo da lesão e o controle imediato da hemorragia, essencial para reverter o choque hipovolêmico.
O trauma toracoabdominal penetrante, como o ferimento por arma de fogo, representa um desafio clínico significativo devido ao alto potencial de lesões em múltiplos órgãos e à rápida deterioração do paciente. A região toracoabdominal é uma zona de transição onde lesões torácicas e abdominais podem coexistir, exigindo uma avaliação rápida e precisa. A instabilidade hemodinâmica, caracterizada por hipotensão e taquicardia persistentes, é o principal indicador de choque hipovolêmico, geralmente por hemorragia interna. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na avaliação primária (ABCDE) e ressuscitação. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre (sangue) nas cavidades pericárdica, pleural e peritoneal. Um FAST positivo no espaço de Traube, em um contexto de ferimento toracoabdominal, sugere fortemente lesão esplênica, gástrica ou diafragmática com sangramento ativo, contribuindo para o choque. Quando um paciente com trauma penetrante permanece em choque hipovolêmico apesar das medidas iniciais de ressuscitação volêmica e apresenta FAST positivo, a conduta mais indicada é a laparotomia exploradora de emergência. Este procedimento cirúrgico permite a identificação e o controle direto da fonte de sangramento, reparo de lesões orgânicas e salvamento da vida do paciente. A demora na intervenção cirúrgica em pacientes instáveis aumenta significativamente a morbimortalidade, tornando a laparotomia exploradora uma prioridade absoluta neste cenário.
Os sinais incluem taquicardia, hipotensão, taquipneia, pele fria e pegajosa, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), alteração do nível de consciência e oligúria. A PA 85x65 mmHg e P 120 bpm são indicativos claros.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) positivo no espaço de Traube (região esplênica) indica a presença de líquido livre (provavelmente sangue) na cavidade abdominal. Em um trauma toracoabdominal, isso sugere lesão de órgãos como o baço, estômago ou diafragma.
A laparotomia exploradora de emergência é indicada em pacientes com trauma abdominal penetrante e instabilidade hemodinâmica, peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ativo, ou FAST positivo com choque persistente, como no caso descrito.
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