Trauma Pélvico e Choque: Quando Indicar Laparotomia?

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Vítima de atropelamento com fratura de pelve em livro aberto chega ao pronto socorro com lençol amarrado em torno da pelve. Após reposição volêmica inicial, permanece com taquicardia e hipotensão arterial. FAST realizado na sala de emergência foi positivo. Das alternativas abaixo, qual a próxima conduta a ser tomada mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Realização de novo FAST em quinze minutos.
  2. B) Lavado peritoneal diagnóstico.
  3. C) Tomografia abdominal.
  4. D) Fixação cirúrgica da fratura da pelve.
  5. E) Laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

Fratura de pelve instável + choque persistente + FAST positivo → Laparotomia exploradora imediata para controle da hemorragia intra-abdominal.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma pélvico grave e instabilidade hemodinâmica persistente, mesmo após estabilização inicial da pelve e reposição volêmica, um FAST positivo indica hemorragia intra-abdominal ativa. Nesses casos, a laparotomia exploradora é a conduta mais adequada para identificar e controlar a fonte do sangramento, que pode ser a causa do choque refratário.

Contexto Educacional

O trauma pélvico é uma lesão grave, frequentemente associada a acidentes de alta energia, como atropelamentos. A fratura de pelve em livro aberto é particularmente preocupante devido à sua associação com grande perda sanguínea, podendo levar a choque hemorrágico. A mortalidade pode ser elevada, e a identificação e controle rápidos das fontes de sangramento são cruciais para a sobrevida do paciente. O manejo inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização da via aérea, respiração e circulação. A fisiopatologia do choque em trauma pélvico envolve sangramento de vasos pélvicos, tanto arteriais quanto venosos, e também de lesões associadas em órgãos intra-abdominais. A estabilização externa da pelve com um lençol ou cinto pélvico é uma medida inicial importante para reduzir o volume do anel pélvico e, consequentemente, o sangramento. No entanto, se o paciente permanece instável hemodinamicamente após essas medidas e a reposição volêmica, e o FAST é positivo, isso indica uma hemorragia intra-abdominal significativa que requer intervenção cirúrgica imediata. A laparotomia exploradora é a conduta mais adequada nesse cenário, pois permite a identificação e o controle direto da fonte de sangramento intra-abdominal. Outras opções, como novo FAST ou tomografia, atrasariam a intervenção necessária. A fixação cirúrgica da pelve é importante, mas deve ser postergada até que a estabilidade hemodinâmica seja alcançada e outras fontes de sangramento com risco de vida sejam controladas. O lavado peritoneal diagnóstico é menos sensível e específico que o FAST e não é a primeira escolha em pacientes instáveis com FAST positivo.

Perguntas Frequentes

Quando a laparotomia exploradora é indicada em trauma pélvico?

A laparotomia exploradora é indicada em trauma pélvico quando há instabilidade hemodinâmica persistente, mesmo após estabilização inicial da pelve e reposição volêmica, e o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é positivo, indicando sangramento intra-abdominal.

Qual a importância do FAST no manejo do trauma pélvico?

O FAST é crucial no manejo do trauma pélvico para identificar rapidamente a presença de líquido livre na cavidade abdominal, que na ausência de outras causas óbvias, sugere hemorragia intra-abdominal. Um FAST positivo em paciente instável direciona a conduta para laparotomia.

Quais são os passos iniciais no manejo de uma fratura de pelve em livro aberto?

Os passos iniciais incluem estabilização da pelve (ex: lençol, cinto pélvico) para reduzir o volume do anel pélvico e o sangramento, reposição volêmica agressiva e avaliação rápida de outras fontes de hemorragia, como a cavidade abdominal (via FAST).

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