UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Paciente masculino de 38 anos dá entrada no SMU vítima de ferimento por arma branca em região dorsal. Na avaliação inicial apresenta-se consciente e contactuante, com FC de 140 e PA 84x56. Glasgow 14, ansioso, saturando 93% em ar ambiente. A exposição apresenta ferimento de 3 cm sem sangramento ativo em região lombar direita, nível de L4, a 3 cm do processo espinhoso. Qual melhor conduta?
Trauma penetrante com instabilidade hemodinâmica (FC >120, PA <90) → Laparotomia exploradora imediata.
A instabilidade hemodinâmica em um paciente vítima de trauma penetrante, como evidenciado por taquicardia e hipotensão, é uma indicação absoluta para laparotomia exploradora. Métodos diagnósticos como FAST ou TC são reservados para pacientes hemodinamicamente estáveis, pois atrasam a intervenção cirúrgica salvadora.
O trauma abdominal é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes jovens, e o ferimento por arma branca é uma etiologia comum. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização do paciente e a identificação de lesões com risco de vida. A rápida identificação da instabilidade hemodinâmica é crucial para determinar a conduta subsequente e melhorar o prognóstico. A fisiopatologia da instabilidade hemodinâmica em trauma penetrante abdominal geralmente envolve hemorragia interna significativa, que pode ser de órgãos sólidos (fígado, baço, rins), vasos maiores ou mesentério. A perda volêmica leva a choque hipovolêmico, manifestado por taquicardia e hipotensão. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais vitais e no mecanismo do trauma. Em pacientes instáveis com trauma penetrante abdominal, a laparotomia exploradora é a conduta de escolha e deve ser realizada sem demora. O objetivo é controlar a hemorragia, identificar e reparar lesões. A demora na intervenção cirúrgica pode resultar em choque irreversível e óbito. Para residentes, é fundamental reconhecer a urgência e a indicação precisa deste procedimento.
Os sinais de instabilidade hemodinâmica incluem taquicardia (FC >120 bpm), hipotensão (PA sistólica <90 mmHg), extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), alteração do nível de consciência e oligúria. Estes indicam choque e necessidade de intervenção rápida.
A laparotomia exploradora é a melhor conduta porque permite o controle imediato de hemorragias internas e a reparação de lesões viscerais, que são as principais causas de instabilidade e morte em traumas penetrantes. Exames de imagem atrasariam essa intervenção crucial.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e a Tomografia Computadorizada (TC) são indicados para pacientes com trauma abdominal que estão hemodinamicamente estáveis. O FAST pode identificar líquido livre na cavidade, enquanto a TC oferece uma avaliação mais detalhada das lesões viscerais e retroperitoneais.
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