MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 35 anos é levado ao serviço de emergência após uma colisão frontal de automóvel em alta velocidade contra anteparo fixo. Ele utilizava cinto de segurança de três pontos no momento do impacto. Na admissão, o paciente está consciente, orientado e queixa-se de dor abdominal difusa, com maior intensidade em andar superior. Os sinais vitais revelam pressão arterial de 115/75 mmHg, frequência cardíaca de 102 bpm, frequência respiratória de 20 irpm e saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente. Ao exame físico, observa-se equimose transversa em abdome inferior, compatível com o sinal do cinto de segurança. A palpação abdominal demonstra dor importante em todos os quadrantes, com presença de defesa muscular involuntária e sinal de Blumberg positivo. O Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) foi realizado à beira do leito, evidenciando pequena quantidade de líquido livre no espaço sub-hepático e na goteira parietocólica direita, sem coleções pericárdicas ou pleurais. Diante do quadro clínico e dos achados descritos, a conduta mais adequada é:
Sinal do cinto de segurança + Peritonite (Blumberg+) = Laparotomia imediata, independente da estabilidade.
A presença de irritação peritoneal no trauma abdominal indica lesão de víscera oca ou sangramento maciço, sendo indicação absoluta de cirurgia imediata.
O manejo do trauma abdominal evoluiu para o tratamento não operatório (TNO) em lesões de órgãos sólidos em pacientes estáveis. Contudo, a avaliação clínica permanece soberana. A presença de sinais de peritonite, como defesa muscular involuntária e sinal de Blumberg, indica que houve violação da integridade de uma víscera oca ou uma hemorragia peritoneal que não cessará espontaneamente. O mecanismo de trauma por desaceleração brusca com cinto de segurança de dois ou três pontos predispõe ao aumento da pressão intraluminal e compressão das alças contra a coluna vertebral, resultando em perfurações. Nestes casos, a TC pode ser útil para diagnóstico, mas a presença de peritonite clara no exame físico é uma indicação direta para o bloco cirúrgico, visando o controle de contaminação e reparo das lesões.
As indicações clássicas incluem: trauma abdominal com hipotensão arterial persistente (choque) apesar da ressuscitação, sinais de irritação peritoneal (defesa, descompressão dolorosa), evidência de pneumoperitônio na radiografia ou TC, e evidência de lesão diafragmática. No caso de estabilidade hemodinâmica, a peritonite clínica sobrepõe-se a exames de imagem, indicando geralmente ruptura de víscera oca com extravasamento de conteúdo entérico.
A equimose transversa em abdome inferior (sinal do cinto de segurança) está fortemente associada a duas lesões específicas: lesão de vísceras ocas (especialmente intestino delgado por esmagamento ou desaceleração) e fraturas de coluna lombar (fratura de Chance). Sempre que presente, o examinador deve ter alto índice de suspeição para perfurações intestinais, mesmo que o FAST inicial mostre pouco líquido.
Não necessariamente. O FAST positivo (líquido livre) em paciente hemodinamicamente estável é uma indicação para realização de Tomografia Computadorizada (TC) para graduar a lesão orgânica (fígado, baço, rim) e decidir entre tratamento conservador ou cirúrgico. No entanto, se houver peritonite associada ao líquido livre, a cirurgia torna-se mandatória independente da estabilidade ou do achado isolado do FAST.
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