SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
É contraindicação à laparoscopia no contexto do paciente politraumatizado:
TCE grave + Laparoscopia → ↑ PIC pelo pneumoperitônio (contraindicação absoluta).
A laparoscopia no trauma exige estabilidade hemodinâmica. O TCE grave é contraindicação devido ao aumento da pressão intracraniana causado pelo pneumoperitônio e pela posição de Trendelenburg.
A utilização da laparoscopia no trauma evoluiu de uma ferramenta puramente diagnóstica para uma modalidade terapêutica em casos selecionados. No entanto, sua aplicação deve respeitar critérios rigorosos de segurança. A estabilidade hemodinâmica é o pré-requisito fundamental. O cirurgião deve estar atento às contraindicações fisiológicas, sendo o TCE grave a principal delas devido ao risco de hipertensão intracraniana iatrogênica. Além do TCE, outras contraindicações incluem a necessidade óbvia de laparotomia (evisceração, peritonite franca) e condições que impeçam a criação do pneumoperitônio seguro. Em contrapartida, a laparoscopia reduz a morbidade associada a laparotomias brancas, diminui o tempo de internação e permite uma visualização excelente do diafragma e de recessos pélvicos. O equilíbrio entre o benefício da técnica minimamente invasiva e o risco de complicações sistêmicas é a chave para o sucesso no manejo do politraumatizado.
O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) grave é uma contraindicação absoluta para a realização de laparoscopia devido aos efeitos fisiológicos do pneumoperitônio. A insuflação de CO2 na cavidade abdominal aumenta a pressão intra-abdominal (PIA), o que dificulta o retorno venoso sistêmico e aumenta a pressão venosa central. Isso resulta em um aumento reflexo da pressão intracraniana (PIC) e redução da pressão de perfusão cerebral (PPC). Em pacientes que já possuem autorregulação cerebral comprometida ou hipertensão intracraniana prévia, esse aumento adicional pode levar a herniações cerebrais fatais ou isquemia cerebral secundária.
A laparoscopia é indicada principalmente em pacientes politraumatizados que estão hemodinamicamente estáveis, mas possuem suspeita de lesões intra-abdominais que não foram totalmente esclarecidas por exames de imagem (como TC ou FAST). É particularmente útil na avaliação de lesões diafragmáticas em ferimentos penetrantes de transição toracoabdominal, onde a sensibilidade da TC é menor. Também pode ser utilizada para diagnosticar e, por vezes, tratar lesões de vísceras ocas ou sangramentos de baixa intensidade em pacientes selecionados, evitando laparotomias não terapêuticas desnecessárias.
Não. A instabilidade hemodinâmica é a contraindicação clássica e mais comum para a laparoscopia no trauma. Pacientes chocados ou com sangramento ativo volumoso necessitam de controle rápido da hemorragia, o que é feito de forma mais segura e eficaz através da laparotomia exploradora (cirurgia aberta). O pneumoperitônio pode piorar o estado hemodinâmico ao reduzir o retorno venoso e o débito cardíaco, além de o tempo necessário para a montagem do equipamento laparoscópico ser incompatível com a urgência do controle de danos.
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