USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 48 anos deu entrada no serviço de urgência com história de 10 dias de dor abdominal vaga, que gradualmente se agravou e se tornou intolerável. Não tinha história de ingestão alcoólica, tabagismo ou passado de doenças ou uso de medicamentos. PA: 120x80 mmHg; FC: 90 bpm; temperatura corporal: 37°C. Ao exame físico, referia dor abdominal e sensibilidade de rebote em todos os quadrantes, com diminuição de som. O estudo laboratorial inicial revelou contagem de glóbulos brancos de 11.000/mL (neutrófilo, 86,8%) e PCR 8,03. Foi submetido à tomografia, conforme imagens a seguir: O paciente foi internado para tratamento e houve melhora importante da dor abdominal. Ao exame físico persistia a dor abdominal sem sinais de irritação peritoneal e a tomografia de controle foi realizada, conforme imagem a seguir: Qual a opção recomendada neste caso?
Dor abdominal persistente + sinais de irritação peritoneal prévios → Laparoscopia diagnóstica/terapêutica.
Em casos de abdome agudo com melhora clínica parcial mas persistência de sintomas ou achados tomográficos inconclusivos, a laparoscopia oferece diagnóstico e tratamento simultâneos.
O manejo do abdome agudo exige alta suspeição clínica e avaliação dinâmica. A laparoscopia tornou-se o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento em casos de dor abdominal de origem incerta, permitindo evitar laparotomias desnecessárias e reduzir a morbidade. A evolução do quadro clínico, mesmo com melhora laboratorial, deve ser confrontada rigorosamente com o exame físico e achados de imagem. Neste caso específico, a persistência da dor após melhora inicial e os achados tomográficos sugerem uma patologia que necessita de intervenção cirúrgica para resolução definitiva. A laparoscopia permite identificar a causa (como uma apendicite complicada, diverticulite ou hérnia interna) e tratá-la de forma minimamente invasiva.
A laparoscopia é indicada quando há dúvida diagnóstica em quadros de dor abdominal persistente, sinais de irritação peritoneal ou quando a propedêutica armada (como a tomografia) é inconclusiva, permitindo a visualização direta da cavidade e intervenção imediata se necessário.
As principais vantagens incluem menor trauma cirúrgico, recuperação pós-operatória mais rápida, menor taxa de infecção de ferida operatória, menor formação de aderências e melhor visualização de recessos da cavidade abdominal.
A persistência da dor, mesmo sem sinais claros de peritonite generalizada no momento, associada a achados de imagem suspeitos, justifica a exploração cirúrgica, preferencialmente por vídeo, para evitar complicações como perfurações ou isquemias.
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