Coqueluche na Pediatria: Diagnóstico e Quadro Clínico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente, 5m, previamente hígido, é trazido à Emergência por quadro de tosse e coriza há dez dias, sem febre no período. Há dois dias apresenta piora importante dos episódios de tosse paroxística emetizante. Exame físico: bom estado geral; FC = 110 bpm; FR = 40 ipm; oximetria de pulso = 96% (ar ambiente); T = 36,6°C; ausculta pulmonar sem alterações. Exames complementares: hemoglobina = 12,4 g/dL: hematócrito = 6%; Leucócitos = 21.700/mm³ (basófilos = 0%, eosinófilos = 3%, neutrófilos = 21%, monócitos = 8%, linfócitos = 68%); plaquetas = 210.000/mm³. Radiograma de tórax: infiltrados pulmonares paracardíacos. O agente etiológico é:

Alternativas

  1. A) Chlamydia pneumoniae.
  2. B) Vírus Sincicial Respiratório.
  3. C) Bordetella pertussis.
  4. D) Haemophilus influenzae.

Pérola Clínica

Tosse paroxística + guincho + linfocitose absoluta em lactente = Coqueluche (B. pertussis).

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes manifesta-se com acessos de tosse que podem levar à apneia ou vômitos, acompanhados de uma linfocitose marcante causada pela toxina pertussis.

Contexto Educacional

A coqueluche continua sendo uma causa importante de morbimortalidade em lactentes não vacinados ou com esquema incompleto. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, frequentemente de adultos com tosse prolongada (reservatórios) para crianças. O hemograma com linfocitose em um quadro de tosse persistente sem febre é uma pista diagnóstica crucial. Complicações graves incluem pneumonia (por B. pertussis ou sobreinfecção), encefalopatia e hipertensão pulmonar. A 'coqueluche maligna' é uma forma grave caracterizada por hiperleucocitose extrema, falência respiratória e choque, exigindo manejo em terapia intensiva.

Perguntas Frequentes

Quais as fases clínicas da coqueluche?

A coqueluche divide-se em três fases: 1) Fase Catarral (1-2 semanas), com sintomas inespecíficos de resfriado, sendo a fase mais contagiosa; 2) Fase Paroxística (2-6 semanas), caracterizada por acessos de tosse súbitos e intensos, finalizados por um 'guincho' inspiratório ou vômitos (tosse emetizante); 3) Fase de Convalescença (semanas a meses), onde a tosse diminui gradualmente em frequência e intensidade. Em lactentes jovens, o guincho pode estar ausente, sendo substituído por apneia e cianose.

Por que ocorre linfocitose na coqueluche?

A linfocitose absoluta é um achado laboratorial clássico e é causada pela 'toxina pertussis'. Essa toxina interfere na sinalização das quimiocinas e bloqueia a extravasação dos linfócitos do sangue para os tecidos linfoides e locais de inflamação. Como resultado, os linfócitos ficam 'aprisionados' na circulação sanguínea, elevando a contagem leucocitária, muitas vezes acima de 20.000-50.000 células/mm³ com predomínio linfocítico.

Como é feito o diagnóstico e tratamento?

O diagnóstico padrão-ouro é a cultura de secreção de nasofaringe ou, mais comumente na prática atual, o PCR para Bordetella pertussis. O tratamento de escolha é feito com macrolídeos, sendo a Azitromicina a droga preferencial (5 dias). O tratamento antibiótico é mais eficaz para reduzir a transmissibilidade e tem melhor impacto clínico se iniciado na fase catarral; após o início dos paroxismos, o benefício clínico é limitado, mas ainda indicado para controle epidemiológico.

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