Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 2 meses de vida, que recebeu apenas as vacinas de maternidade (BCG e Hepatite B), é levado à unidade de pronto atendimento com história de acessos de tosse súbita e intensa há 5 dias. A mãe relata que, durante os episódios, o bebê apresenta congestão facial e cianose perioral, seguidos de um esforço inspiratório ruidoso. Não há relato de febre. No exame físico, a criança encontra-se afebril, eupneica e com ausculta pulmonar normal entre as crises de tosse. O hemograma apresenta 32.000 leucócitos/mm³, com 72% de linfócitos típicos. A mãe refere que também apresenta uma tosse seca e persistente há cerca de três semanas. Diante da principal hipótese diagnóstica, assinale a conduta terapêutica e epidemiológica mais adequada para o caso:

Alternativas

  1. A) Administrar Eritromicina para o lactente e realizar o isolamento respiratório dos contatos domiciliares por 14 dias, sem indicação de medicação profilática.
  2. B) Prescrever Amoxicilina para o lactente visando a prevenção de complicações bacterianas e atualizar o cartão vacinal da mãe com a vacina dTp.
  3. C) Iniciar Claritromicina para o lactente e indicar quimioprofilaxia apenas para os contatos domiciliares menores de 7 anos que não completaram o esquema vacinal.
  4. D) Prescrever Azitromicina para o lactente e instituir quimioprofilaxia com Azitromicina para todos os contatos domiciliares, independentemente do estado vacinal.

Pérola Clínica

Lactente com tosse paroxística + guincho + linfocitose intensa → Coqueluche.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens é grave e exige tratamento imediato com macrolídeos e quimioprofilaxia de todos os contatos domiciliares para interromper a transmissão.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, permanece uma causa importante de morbimortalidade em lactentes menores de 6 meses que ainda não completaram o esquema vacinal primário. A apresentação clássica inclui as fases catarral, paroxística (com os acessos de tosse e o guincho inspiratório) e de convalescença. Em bebês pequenos, a tosse pode ser ausente, manifestando-se apenas como apneia ou cianose. A estratégia de 'casulo' (vacinação de gestantes e contatos próximos) é fundamental para proteger essa população vulnerável. O manejo epidemiológico é rigoroso: além do tratamento do caso índice, a quimioprofilaxia de contatos é mandatória para erradicar o estado de portador e prevenir novos casos.

Perguntas Frequentes

Qual o antibiótico de escolha para coqueluche em lactentes?

A azitromicina é o antibiótico de escolha, especialmente para lactentes menores de 1 mês, devido ao menor risco de estenose hipertrófica do piloro em comparação com a eritromicina. A dose usual é de 10 mg/kg/dia por 5 dias. O tratamento visa reduzir a transmissibilidade e, se iniciado precocemente na fase catarral, pode atenuar a gravidade dos sintomas clínicos.

Quem deve receber quimioprofilaxia após exposição?

De acordo com os protocolos de vigilância epidemiológica, a quimioprofilaxia com macrolídeos deve ser oferecida a todos os contatos domiciliares de um caso confirmado, independentemente da idade ou do estado vacinal. Isso é crucial porque a vacina não confere imunidade permanente e adultos costumam ser os reservatórios que transmitem a bactéria para lactentes não imunizados.

Como interpretar a linfocitose na coqueluche?

A coqueluche é uma das poucas infecções bacterianas que cursa com leucocitose acentuada às custas de linfocitose absoluta. Isso ocorre devido à toxina pertussis, que impede a migração dos linfócitos do sangue para os tecidos linfoides. Em lactentes, uma contagem de leucócitos muito elevada (> 50.000) é um marcador de mau prognóstico, associado à hipertensão pulmonar grave.

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