Coqueluche no Lactente: Diagnóstico e Quadro Clínico

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026

Enunciado

Lactente de 9 meses apresenta tosse paroxística seguida de vômitos e cianose. Hemograma: leucocitose de 30.000/mm³ com linfocitose. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Pneumonia viral.
  2. B) Bronquiolite viral.
  3. C) Coqueluche.
  4. D) Asma em lactente.

Pérola Clínica

Tosse paroxística + Vômitos + Linfocitose importante → Coqueluche.

Resumo-Chave

A coqueluche deve ser suspeitada em lactentes com acessos de tosse seguidos de cianose ou vômitos, especialmente quando acompanhados de reação leucemoide com linfocitose absoluta.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, continua sendo uma causa importante de morbimortalidade em lactentes não vacinados. A fisiopatologia envolve a adesão bacteriana ao epitélio respiratório e a liberação de toxinas que causam necrose tecidual. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas a confirmação pode ser feita por PCR de secreção de nasofaringe. A prevenção primária através da vacinação (Pentavalente e DTP) e a vacinação de gestantes (dTpa) são as estratégias mais eficazes de controle da doença.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da coqueluche?

A coqueluche clássica evolui em três fases: catarral, paroxística e de convalescença. A fase paroxística é marcada pela tríade de acessos de tosse súbitos e intensos (paroxismos), o guincho inspiratório e o vômito pós-tussígeno. Em lactentes jovens, o guincho pode estar ausente, sendo substituído por episódios de apneia e cianose, o que torna o quadro potencialmente grave e com necessidade de monitorização hospitalar.

Por que ocorre linfocitose na coqueluche?

A linfocitose é um achado laboratorial característico, causado pela ação da toxina pertussis. Essa toxina interfere na sinalização das proteínas G, bloqueando a entrada dos linfócitos do sangue para os tecidos linfoides. Como resultado, os linfócitos permanecem circulantes, gerando uma linfocitose absoluta que pode atingir níveis de reação leucemoide (acima de 50.000/mm³). Esse achado é uma pista diagnóstica valiosa em quadros de tosse prolongada.

Qual o tratamento de escolha para coqueluche?

O tratamento de escolha é a antibioticoterapia com macrolídeos, sendo a azitromicina a droga preferida. O tratamento é mais eficaz na fase catarral para reduzir a gravidade dos sintomas, mas sua principal função na fase paroxística é erradicar a bactéria da nasofaringe e interromper a cadeia de transmissão. Contatos próximos também devem receber quimioprofilaxia para evitar novos casos.

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